Jovens e álcool, uma equação perturbante

Por: Mário Beja Santos

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As famílias, as escolas, a comunicação social, estão altamente sensibilizadas para as consequências nefastas do consumo do álcool em termos excessivos e, porventura, adictos. Há hoje um grau de literacia apreciável sobre as doenças provocadas pelo álcool devido ao seu consumo excessivo, vê-se nos ecrãs como o álcool mata na estrada (e ceifa vidas de jovens vindos de festas, alegres e descuidados, em alta madrugada) e como o consumo imoderado de álcool afeta o sucesso escolar. É verdade que uma grande maioria dos jovens (para não dizer uma altíssima percentagem) têm um consumo de álcool considerado como não problemático, mas não deixa de ser preocupante verificar que Portugal está na lista dos países onde se verifica um crescente consumo de álcool pelos jovens. Temos, pois, uma questão de saúde pública e as suas variadas sequelas a nível da família, da inserção social, da violência e até do sexo desprotegido.

Há, pois, que saber atuar, desde a célula familiar, passando pela escola, até às redes sociais de modo a que se estabeleça uma cooperação entre todos aqueles que devem comunicar aos jovens, por exemplo, que beber antes dos 15 anos é um verdadeiro perigo para o cérebro, que é recomendável não beber álcool antes dos 18 anos, isto a despeito do álcool fazer parte integral do património da nossa sociedade, aparecer como uma regra de convivência, e a sua apresentação é corrente desde a literatura às séries televisivas.

Cooperação significa que a escola deve abrir espaço para estes debates, convidar profissionais de saúde (todos eles, desde médicos de família, passando por farmacêuticos e enfermeiros), psicólogos, sociólogos, entre outros, para em debate transparente se obter conselho para as abordagens de comunicação, como será o caso: aprender a conhecer os principais riscos em que incorrem os adolescentes quando bebem; compreender como é ser-se adolescente e saber incutir-lhe o princípio da responsabilidade pela promoção da saúde; ajudar o jovem a ser assertivo e mais feliz quando adota um estilo de vida saudável.

Comunicação essa que permite visar a principal finalidade: é imprescindível fazer com que os jovens entendam que ingerir teores excessivos de bebidas alcoólicas não contribuem para a sua afirmação junto dos amigos; que o jovem tem tudo a ganhar em mostrar-se firme não querendo competir ou sentir-se atraído pelo fenómeno da moda que dá pelo nome de binge drinking (consumo de grandes quantidades de álcool num curto lapso de tempo, sobretudo com cerveja e certas bebidas brancas); não é por acaso que não se deve beber antes dos 18 anos, já que o cérebro continua em formação até à idade adulta, o organismo não está adaptado a metabolizar o álcool e, ao contrário do que muitos jovens pensam, as consequências do consumo precoce afetam o estudo e o relacionamento com os outros, podendo mesmo levar à dependência física e psíquica.

O alcoolismo é a toxicodependência mais frequente entre os portugueses, é também inimigo da saúde pública por se associar a acidentes rodoviários, homicídios ou atos de violência. As estratégias europeias de saúde pretendem apoiar os Estados-membros “na minimização dos efeitos nocivos do álcool”. Para obter sucesso, a sociedade civil deve agregar se e debater com os jovens o que todos ganhamos em educação para a saúde: o que é ser bebedor moderado, por que não deve beber antes de se lançar na estrada, e mesmo chamar à atenção para as reações adversas na mistura de bebidas alcoólicas com medicamentos, importa divulgar regularmente listas dos medicamentos que não se podem combinar com o álcool.

Ingerir álcool em excesso não contribui para nenhuma afirmação, primar pela diferença é bem melhor, não há que imitar quem atravessa as linhas vermelhas, beber com sobriedade é a melhor decisão que o jovem pode tomar.

Mário Beja Santos

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