Carta Arqueológica lança novos dados relevantes sobre a História de Tomar

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Carlos Batata, autor da obra

A confirmação da existência de dois importantes povoados pré-históricos, um deles no atual território da cidade, e de um povoado árabe também na cidade, são dois dos mais relevantes pontos do livro “As origens de Tomar – Carta arqueológica do concelho”, da autoria de Carlos Batata e com edição do Município.

A obra foi lançada no domingo, no âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, no Complexo Cultural da Levada, e já está disponível para aquisição no Posto Municipal de Turismo, ao preço de 15 €.

A presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, salientou a importância da sistematização da informação sobre o património arqueológico do concelho, disponível como ferramenta não só para cada cidadão conhecer melhor o nosso passado, mas também como um documento académico para quem estuda o nosso território.

Hugo Cristóvão, vereador responsável pela área, referiu que este trabalho surgiu no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal, em que a carta arqueológica era um dos elementos necessários, peça importantíssima para conhecer a ocupação do território ao longo do tempo, sendo que o Município entendeu que era suficientemente relevante para ganhar direito a ser autonomizado em livro.

Carlos Batata, que em 1997 publicara uma primeira versão, muito menos arrojada, desta carta, sublinhou o facto de neste quarto de século a própria legislação ter alterado para melhor o panorama da arqueologia em Portugal, com a obrigatoriedade de acompanhamento de muitas obras que se refletiu profundamente no conhecimento adquirido sobre o concelho de Tomar, e em especial sobre a cidade.

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O arqueólogo deu conta da importância de achados como o do povoado pré-histórico da Fonte Quente, com cerca de 20 hectares, no âmbito da empreitada de construção do IC9, ou das termas públicas romanas, junto ao Pavilhão Municipal, neste caso com uma entrada já tardia dos investigadores em campo que terá levado a que se tenham perdido muitos vestígios na área do atual parque de estacionamento subterrâneo.

Diferente foi o que aconteceu com as intervenções nas ruas do centro histórico e em diversas casas particulares dessa zona: por um lado encontraram-se os vestígios necessários para perceber que a cidade romana se expandia para a margem direita do rio, e que a ela se deve o traçado retilíneo que ainda hoje apresenta; por outro foram encontrados mais de duas centenas de silos no subsolo, de origem islâmica, alguns dos quais na Mata dos Sete Montes, os quais, conjugados com uma investigação aprofundada do Castelo e cotejados com informação disponível sobre outros locais, permitiram ao autor avançar com a ideia de que, não só aqui terá existido um povoado árabe de dimensão razoável, mas também a fortaleza terá sido originalmente construída pelos muçulmanos.

Toda esta informação está disponível no livro que, além de um amplo registo fotográfico, inclui ainda um mapa destacável, em tamanho de poster, com o registo de todas as inúmeras intervenções e sítios arqueológicos no concelho.

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Carlos Batata durante a sessão de autógrafos

Fonte: CMT

 

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