Eleições no Politécnico de Tomar podem vir a ser impugnadas

O candidato vencido, Eng. José Mendes refere que o substituto de Luís Oosterbeek no Conselho Geral votou sem ter tomado posse.

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As eleições para a presidência do Instituto Politécnico de Tomar, que decorreram no passado dia 14 de junho, e que deram a vitória ao atual presidente, Professor João Coroado, podem vir a ser impugnadas, por não terem sido cumpridas todas as formalidades que se prendem com a substituição de um elemento do Conselho Geral, que é quem elege o presidente da instituição.

Quem o afirma, é o candidato vencido, Eng. José Mendes que num documento enviado à nossa redação apresenta os motivos sobre os quais pondera impugnar as referidas eleições.

“As eleições para o cargo de presidente do Instituto Politécnico de Tomar
(O texto é longo, a história é triste, mas quem quiser prestar atenção vai entender como e quem desenvolve atividades para diluir o IPT no mapa do país e do ensino superior. Quem me conhece sabe que até sou otimista, mas a situação difícil do instituto e o processo das eleições obriga-me a escrever estas palavras.)

Funcionou a democracia e perante uma alternativa de mudança ou a continuidade, o atual Conselho Geral do IPT, composto por 21 membros, decidiu pela continuidade e elegeu João Coroado para continuar como Presidente.

Estava em causa uma opção clara de mudança para evitar o desastre anunciado, invertendo as tendências mostradas num estudo recente do final de 2022 da OCDE em que o IPT é apontado como tendo custos por aluno incomportáveis (mais do dobro da média nacional), pouca atratividade e pouca produtividade (o último do país) e um orçamento á conta dos contribuintes muito mal gerido (nas receitas, mais de 75% são do Orçamento de Estado e, nas despesas, mais de 90% são em despesas correntes).

Logo no final da votação dei os parabéns ao recandidato vencedor desejando a melhor sorte.
Foi um debate, em minha opinião, franco, inteligente, cordial e inovador na proposta de algumas soluções que espero possam vir a ser úteis ao IPT.

Mas há sempre alguém que estraga tudo. Como diz a sabedoria popular utilizando a metáfora do rebanho, “há sempre uma ovelha ronhosa”.
Tive conhecimento já depois do ato eleitoral que um dos conselheiros, de forma inusitada, inapropriada, indigna e até mesmo traiçoeira, cerca das 23:10 da véspera da votação que se realizava As eleições para o cargo de presidente do Instituto Politécnico de Tomar pelas 10:30 da manhã do dia seguinte (14.06.2023), em pleno período típico de reflexão, envia a membros do colégio eleitoral uma carta de apoio ao candidato vencedor com considerações menos próprias sobre a minha candidatura, fora de contexto, sem poderem ser rebatidas porque sem meu conhecimento e qualificando o debate destas eleições como não existente. Qual “arauto do conhecimento” que não tendo estado presente na sessão de debate dirigida ao Conselho Geral afirma que não houve debate, tentando passar um atestado de menoridade a todos os restantes conselheiros, arvorando-se como portador de opinião sobranceira e superior à de
todos os restantes. Arauto que na primeira sessão publica de apresentação das candidaturas já tinha revelado a sua postura de suposta auto superioridade em relação aos candidatos.

Mas quem é este “arauto do conhecimento”, Luiz Oosterbeek. Eu vou dar pistas para quem quiser avaliar da sua idoneidade.
Vejamos algo sob a sua postura recente relativa a alunos do 1º ano da Licenciatura em Turismo e Gestão do Património Cultural.
LO, como professor, obrigou a concentrar aulas num único dia, durante 7 semanas, em vez de nas 15 semanas do semestre. Os alunos tinham aulas das 08:30 às 16:00 com o mesmo professor porque LO viaja muito. LO está muito longe da nossa realidade.
Nesta licenciatura, como noutras, o número de inscritos em pauta difere muito do número de alunos avaliados, em cerca de 42 alunos inscritos (22 no regime Ordinário); estão a ser avaliados cerca de 50% (os outros 50% só têm o nome inscrito na pauta). Dos 22 avaliados, um grupo de 6 alunos (mais de 25%) disse ir desistir do curso e do IPT em benefício do IP Leiria. Uma das razões é o atrás referido sobre a concentração de aulas num dia e por um período reduzido a metade na sua duração.
Os episódios protagonizados por LO são esclarecedores da sua credibilidade e potencial pedagógico: numa das suas aulas intermináveis, após um intervalo de 30 minutos, barrou a entrada na sala de aula a um grupo de alunos que se atrasara 3 minutos. Tão pouco autorizou que esses alunos recolhessem os seus pertences no interior da sala de aula.
Os lesados ainda pensaram apresentar queixa, mas logo perceberam que não tinham interlocutor válido porque LO era “intocável” no IPT.

Este “arauto do conhecimento” parece ter comportamentos como um déspota que contribui para a má imagem da instituição. Veremos os números que vamos ter já no ano letivo que se aproxima: quantos jovens se candidatam ao curso, quantos o vão abandonar e quantos continuam para o 2º ano. Curso num setor fundamental como o Turismo.

É por causa de indivíduos como LO que se pavoneiam como arautos do conhecimento que estamos como estamos – a esconder a realidade e considerar que só uns tantos iluminados sabem encontrar a solução – e a instituição a caminho do desastre anunciado.LO conhecerá eventualmente os números do relatório que a OCDE elaborou em Portugal sobre o estado da arte no sector. Mas não é sobre eles que LO fala. Prefere desferir ataques soezes à dignidade dos que toma por inimigos, todos quantos se atrevem a denunciar as suas debilidades e as vantagens com que o beneficiam os simples a quem ilude.

O Prof. Pacheco de Amorim criou-lhe um Centro de Estudos para se entreter nas suas deambulações. Provavelmente, entendeu cedo que ele não sabia viver em comunidade. Assim continua hoje. A dar o seu contributo ativo para ser ele o grande líder na obscuridade, sem assumir, mas beneficiando, empurrando terceiros para a cara do touro. Qual grande “Educador da classe IPT”.

Pois saiba, LO, que rigor é analisar qual o seu verdadeiro contributo para o IPT, para a Universidade Autónoma, para a Universidade de Coimbra, para o Instituto em Mação, qual super-homem a deambular pelo mundo. Seja transparente e apresente contas do verdadeiro beneficio para o IPT de alguém especial que não é. Nem o guru que ambiciona ser. Mas vai iludindo e beneficiando.
Falta-lhe ser transparente, partilhar com os seus pares. Ou teme que o modo correto de estar e proceder denuncie a sua pequenez? Humildade ficava-lhe bem.

Quando fala de debate, de que debate fala? Ainda quer mais palco do que tem no IPT e junto dos que ainda o ouvem para aí se promover em monólogo? Não fale, sem rigor, acerca de alegadas derivas de sucesso ou insucesso na educação em Portugal.
LO sabe pouco sobre outras componentes do setor, como atividades pedagógicas e prestação de serviços ao exterior! LO viaja. Pediu a suspensão no Conselho Geral porque foi fazer “a preparação de um grande projeto”. Mas ninguém na comunidade sabe o que faz, não partilha. Estão a decorrer em Portugal as Jornadas Europeias de Arqueologia, entre 16 a 18 de junho, e numa longa lista de estabelecimentos de ensino superior e municípios que participam, o IPT não aparece, LO não aparece e Tomar aparece por uma iniciativa na Biblioteca Municipal protagonizada por João Amendoeira Peixoto, do seu doutoramento na Universidade de Évora, sobre José Vieira Guimarães. Um bom serviço à nossa comunidade.

Aqui chegados, e neste quadro, parece-me oportuno recordar Almada Negreiros no Manifesto anti-Dantas. (Aqui o Dantas é por demais evidente): “Portugal inteiro há de abrir os olhos um dia – se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado”.
Mas voltemos à reunião que encenou a eleição do presidente do IPT.

Já depois de conhecidos os resultados e de ter terminado a reunião encontrei-me com o delegado que indiquei para me representar no ato da votação. Informou-me de como decorreu todo o processo. Não terá sido bem interpretada a sua função de interpelar a mesa sobre questões dúbias relativas ao processo como no caso de um dos membros ter votado sem ter tomado posse e não constar no portal oficial do IPT na composição atual do Conselho Geral. Aguardo serenamente as consequências do apuramento das dúvidas suscitadas.

Por mim, tenho a consciência de ter assumido a minha responsabilidade de perante o estado grave em que se encontra o IPT me disponibilizar para liderar uma equipa para a mudança.
Falando verdade e com transparência na gestão. Sinto-me bem por ter contribuído para o debate e com transparência
conversarmos sobre a realidade que é muito difícil. Eu que estive na origem desta instituição, vi-a nascer e tenho participado no seu crescimento, sinto, neste processo, missão cumprida.

Quero agradecer aos meus colegas docentes, aos alunos, aos funcionários e á comunidade o apoio e a participação que disponibilizaram para a construção de um projeto de mudança. Pena que a réstia de esperança que ainda alimentei se tenha esvaído desta forma tão pouco asseada, como refere Almada.

Estou a avaliar a situação e procedimento dos atores envolvidos no ato de eleição do presidente do IPT para decidir sobre as diligencias a adotar junto da Tutela e sobre a eventual impugnação do ato eleitoral de 14 de junho. Em causa, por Luis Oosterbeek estar ausente em viagem no estrangeiro, e por quem o substituiu ter votado sem ter tomado posse.

Hoje, ainda mais conhecedor da grave situação global do IPT, desejo discussão construtiva para tentarmos escapar ao desastre anunciado. Para já, “o menino” não vai morrer nos meus braços. Mas desejo, sinceramente, que continue o seu desenvolvimento sustentado”.

José António Ribeiro Mendes
Candidato à Eleição de Presidente do IPT

 

 

 

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