Vila de Rei à espera da cannabis

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Um investimento de 10 milhões de euros numa fábrica de produtos medicinais à base de cannabis em Vila de Rei foi anunciado em Novembro de 2018 pela Cann10-Portugal. Três anos e meio depois, a empresa, que abriu actividade em Junho de 2016, ainda aguarda a conclusão do processo de licenciamento do Infarmed (a Autoridade Nacional do Medicamente e Produtos de Saúde) para transformar a cannabis em produtos farmacêuticos, avança o Jornal Público, na sua edição de hoje.

zona industrial 2 5cbef27b1fe64Refere o jornal, que “A par do investimento, o principal responsável da empresa em Portugal prometeu ainda criar 100 postos de trabalho na localidade portuguesa do distrito de Castelo Branco.
Depois de negociações com a autarquia, foi anunciado que a fábrica da Cann10 seria instalada no Lote 1 da Zona Industrial do Souto, com 4,5 hectares.

A empresa é detida em partes iguais pela Cann10 Holdings Limited, presidida por Tamir Pardo, um israelita naturalizado português e ex-director da Mossad, e pela sociedade Sasyag, Lda, constituída vinte dias antes da Cann10-Portugal. Esta sociedade tem como accionistas os israelitas Yair Abraham Sayag e Moses Moshe Sasbon, ambos certificados pela Comunidade Israelita do Porto (CIP) como descendentes das antigas comunidades de judeus sefarditas (https://www.publico.pt/2021/12/18/desporto/investigacao/regresso-sefarditas-portugal-1989067) e foram, à semelhança de Tamir Pardo, naturalizados como portugueses.

O gerente da Cann10-Portugal, que está de momento sem actividade comercial, é Moses Sasbon, que surge também no Ministério da Justiça como o beneficiário efectivo. Mas tem sido Yair Sayag (ou Assayag) a dar a cara publicamente pela empresa. Na sua página na rede social profissional LinkedIn, Sayag apresenta-se como fundador e director desta
empresa de exploração de produtos à base de cannabis.

“Todos os produtos de cannabis da Cann10 são fabricados por via de boas práticas que atendem às especificações mais exigentes”, contou Sayag à agência noticiosa Lusa, em Dezembro de 2018, onde é apresentado como presidente da empresa em Portugal.

Respondendo às questões a partir de Israel, Sayag reiterou os números do investimento em Vila de Rei, assim como a contratação de 100 trabalhadores “no prazo de quatro anos, sendo a maioria qualificados”.
Sayag avançou também que a Cann10-Portugal pretendia, por outro lado, importar alguns dos produtos fabricados pela sua unidade em Israel para vender em Portugal.

“Depois da aprovação deste projecto pelo executivo municipal, foi dado um importante passo naquela que é uma aposta numa indústria inovadora na região e que trará inúmeros benefícios ao nosso concelho”, sublinhou à Lusa, na mesma altura, o presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei Ricardo Aires, reeleito em 2021 pelas listas do PSD.

A indústria dos produtos farmacêuticos à base de cannabis está em pleno crescimento mundial e com lucros estratosféricos. Segundo algumas previsões, em 2025 o rendimento do sector pode chegar quase aos 100 mil milhões de euros anuais.

A holding internacional Cann10 realiza anualmente uma conferência internacional intitulada CannX: International Medical Cannabis Medical (Conferência Internacional de Cannabis Medicinal), que foi acolhida em Lisboa, em Fevereiro de 2020. Contou com a presença do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, e da ex-bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins (2016-2022).

Tamir Pardo não foi o único caso de um antigo destacado funcionário do Estado israelita a dedicar-se à indústria da cannabis. Em 2019, também o ex-chefe da agência de segurança Shin Bet e ex-ministro da Ciência, Yaakov Peri, se juntou à CANN-IL como presidente e sócio. No ramo já estavam os ex-primeiros-ministros Ehud Barak (presidente da InterCure Ltd) e Ehud Olmert (consultor e investidor da Univo Pharmaceuticals Ltd)”.

https://www.publico.pt/2022/08/06/sociedade/noticia/vila-rei-espera-cannabis-2016331

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