A censura chinesa

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Há 15 dias, participei com outros elementos do Fatias de Cá no lançamento do novo livro de José Rodrigues dos Santos, “A Mulher do Dragão Vermelho”, que se me revelou, na leitura compulsiva que fiz, uma corajosa denúncia do regime do Partido Comunista Chinês.

Se não fosse o aviso, que vem no início do livro, de que os casos relatados se baseiam em denúncias reais, poderíamos achar que o livro relatava episódios passados nos campos de concentração nazis ou nas prisões da Inquisição.
Mas não. Passam-se nos dias de hoje e parece do mais pertinente a pergunta que é feita na propaganda ao livro: “Será a China mais perigosa do que a Rússia?” Pelos vistos, parece que sim. Eu tenho pouca experiência de chineses.

Mas, à parte os restaurantes e aquela malta que defendia o maoísmo, como o MRPP, de quem eu desconfiava que eram agentes da CIA, ou os da UDP, conhecidos pelo “petit nom” de “fininhos” e que, nos idos de 1983 a 1985, tentaram tomar conta do Fatias de Cá, do que resultou a desagregação da dita em Tomar, porque os militantes destacados para a ofensiva se passaram para o lado do teatro, resta-me a pedagógica experiência de Macau.

A coisa começa em 1988, quando o Fatias de Cá lá apresentou o espetáculo “Homlet”, quando ia a caminho do Festival Internacional de Toyama, no Japão, onde nos tornámos amigos do grupo japonês Takefu e com quem combinámos fazer um espetáculo em co-produção num Festival de Teatroque queríamos fazer em Tomar, em 1992, inspirados na “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto.

Os apoios falharam e o projeto foi adiado para as calendas, que acabariam por chegar no âmbito da Expo’98, em Lisboa: uma co-produção entre o Fatias de Cá, o tal grupo japonês Takefu e o grupo macaense Hiu Koc, constituído por atores chineses, sobre a introdução da espingarda portuguesa na ilha japonesa de Tanegashima, episódio contado, em “Teppo Ki”, pelo monge budista Nampo Bunshi e, na “Peregrinação”, por Fernão Mendes Pinto, episódio esse que era precedido pelo relato de outro onde Fernão Mendes Pinto contava o assalto feito pelos portugueses a um templo chinês para roubar a prata das alfaias. A essa co-produção chamou-se “Tanegashima-Hoi”.

Pois o grupo macaense foi proibido pelas autoridades de contar esse episódo da “Peregrinação”, livro que era “non grato” para a China. Como não arriscámos estragar todo o projeto que veio a estrear na Expo’98 com passagem pelo Panteão Nacional num “In Memoriam”, lá se fez uma adpatação de um Romeu chinês e de uma Julieta portuguesa
para exemplificar a miscigenação macaense.

Claro que, quando fizemos “Tanegashima” nos anfiteatros ao ar livre de Tancos e do Arripiado, contámos a história que Fernão Mendes Pinto contou na “Peregrinação”.
Sujeitarmo-nos à censura chinesa? Não faltava mais nada!…

tanegashima 11
Tanegashima

Ponto de Vista da autoria de Carlos Carvalheiro, publicado na edição de 10-11-2022 no Jornal O Templário

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1 comentário
  1. esteves ayres Diz

    Quando não se tem nada para dizer dos elementos pertencentes ao MRPP, Vêm logo a correr os social-fascistas a dizer, que os elemento dos MRPP eram agentes da CIA. Não passa de uma provocação, sabendo que o MRPP, teve sempre uma posição politica contra , a CIA e o KGB, só para lembrar , que foi o MRPP, que fez uma manifestação (o único partido), contra uma esquadra ( porta aviões)dos EUA/OTAN , quando esteve em Portugal (ao largo do Rio Tejo)! falta de ética e memória curta

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