Aconteceu no Casal dos Bernardos, concelho de Ourém, no primeiro funeral depois da tempestade que só foi possível porque o presidente da junta saiu à procura do coveiro. Sem eletricidade nem telecomunicações, a notícia da cerimónia correu de boca em boca entre vizinhos, numa freguesia ainda isolada.
A cerimónia realizou-se na segunda-feira, dia 2, apesar dos danos significativos no cemitério local e das dificuldades logísticas impostas pelo temporal. O espaço funerário ficou marcado pela destruição de várias campas, com especial incidência nas lápides de mármore e granito polido de grandes dimensões.
“A junta trata de toda a burocracia com as funerárias, mas não estava a conseguir encontrar o coveiro”, relatou Aníbal Pereira, presidente da junta de freguesia, forçado a percorrer a freguesia de carro para localizar o funcionário, tal como tem feito para contactar bombeiros, professores e auxiliares.
O funeral dizia respeito a um residente que morreu de causas naturais. As exéquias não puderam realizar-se antes devido ao mau tempo e aos acessos bloqueados.
Ainda hoje, desde a tempestade, as comunicações são praticamente inexistentes. A antena de telecomunicações não assegura rede e a eletricidade continua cortada. Sem telemóveis a funcionar, os moradores têm se organizado como podem: combinam pontos de encontro para remover árvores, reparar casas.
A confirmação da cerimónia fúnebre, após a localização do coveiro a meio da manhã daquele dia, foi transmitida em recados sucessivos, de porta em porta.
Fonte: SIC






