Miguel Pinto Luz, Ministro das Infraestruturas e Habitação, esteve esta terça-feira, 10 de fevereiro, na Sertã, onde participou num briefing da Comissão Municipal de Proteção Civil. No terreno, a dimensão dos estragos provocados pelas tempestades dos últimos dias continua a marcar a agenda — e a exigir respostas rápidas.
Desde 28 de janeiro que o concelho vive uma corrida contra o tempo. Carlos Miranda, presidente da Câmara Municipal da Sertã, traçou um retrato claro das prioridades assumidas desde o primeiro momento: “A primeira prioridade foi abrir estradas para chegar a todas as freguesias e aldeias do concelho”, garantindo que nenhuma população ficava isolada.
Ultrapassada a fase mais crítica do acesso, o foco passou para as situações sociais, com especial atenção às dezenas de casas destelhadas. Em paralelo, avançou a reposição da energia elétrica — um processo complexo, que ainda está longe de concluído.
Dos 283 postos de transformação do concelho, 280 já se encontram abastecidos, através da rede elétrica ou com recurso a geradores.
Ainda assim, o cenário no terreno é exigente. “O grau de destruição dos postes de baixa tensão é absolutamente brutal”, sublinhou o autarca, garantindo que o Município e as Juntas de Freguesia mantêm equipas no terreno, em articulação permanente com a E-Redes, para acelerar os trabalhos.
A nível nacional, a dimensão do problema é igualmente significativa. Miguel Pinto Luz recordou que continuam mais de 35 mil clientes sem eletricidade em Portugal. “Parecem poucos, mas muitas vezes é quase uma linha para uma casa, o que torna o processo moroso”, explicou, evidenciando a complexidade técnica da reposição.

Mais nebulosa é a situação das comunicações. Carlos Miranda assumiu não dispor de qualquer informação concreta para partilhar com a população, uma vez que, até ao momento, não conseguiu contacto com responsáveis das operadoras de telecomunicações. O ministro garantiu, contudo, que as equipas estão no terreno, enfrentando dificuldades semelhantes às verificadas na rede elétrica, devido à extensão dos danos e à complexidade das infraestruturas.
Entretanto, já foi feito um levantamento exaustivo dos prejuízos em todo o concelho: edifícios municipais, vias rodoviárias, terrenos agrícolas, habitações e empresas acumulam perdas significativas. O governante apelou a que todos os afetados comuniquem os danos com urgência e detalhe, através dos formulários disponibilizados pela CCDR Centro. No caso das habitações, o Município assegura atendimento permanente para apoiar quem tenha dificuldades no processo.
Mas, enquanto se entra na fase de reconstrução, há outra preocupação a emergir: o risco futuro. Miguel Pinto Luz alertou para a necessidade de gerir o combustível fino acumulado nas florestas. “Estamos numa fase de emergência, vamos entrar na reconstrução, mas não podemos esquecer a próxima emergência”, referiu, numa clara alusão ao perigo de incêndios florestais. Carlos Miranda confirmou que o Município irá reforçar o investimento nesta área.
A visita terminou numa empresa do setor florestal fortemente afetada pela intempérie — mais um retrato de um concelho que resiste, mas que enfrenta ainda um caminho exigente até à plena recuperação.






