Andam a roubar cortiça no distrito de Santarém
GNR regista 33 furtos de cortiça desde janeiro.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) contabilizou, desde o início do ano, 33 furtos de cortiça no distrito de Santarém, com maior incidência nas zonas rurais e isoladas do interior.
Segundo dados divulgados ontem, Abrantes é o concelho mais afetado, com 10 ocorrências registadas. Seguem-se Coruche (7), Salvaterra de Magos (6), Almeirim (4), Chamusca (3) e, com apenas um caso, Tomar, Alpiarça e Santarém.
Os números confirmam uma tendência de crescimento: em 2019 foram registados 56 furtos e, em 2023, esse valor subiu para 99.
Grupos organizados e rotas de escoamento
A GNR aponta o envolvimento de grupos organizados que recorrem sobretudo à extração direta da cortiça das árvores, um processo mais demorado mas que deixa menos vestígios. Também são frequentes os furtos de pilhas já retiradas.
Depois de roubada, a cortiça é normalmente triturada para dificultar a sua identificação e, mais tarde, misturada com cortiça legal no circuito comercial. O destino final, adianta a GNR, será sobretudo o mercado nacional.
Operação “Campo Seguro”
Para travar esta atividade, a força de segurança reforçou a vigilância através da Operação “Campo Seguro”, que inclui patrulhamento, investigação criminal, fiscalização rodoviária e controlo de recetadores. Também estão a ser promovidas ações de sensibilização junto dos produtores.
Medidas de prevenção
A GNR recomenda aos proprietários rurais a adoção de medidas de proteção adicionais, como instalar sistemas de vigilância, vedar acessos, colocar sinalização dissuasora e melhorar a iluminação em áreas críticas.
Sugere ainda a marcação da cortiça, o reforço da cooperação entre vizinhos, o reporte imediato de movimentos suspeitos e a manutenção de vigilância durante a extração. Alarmes e a marcação de equipamentos agrícolas também são aconselhados, bem como evitar o armazenamento da cortiça em locais expostos.
A GNR sublinha que este crime depende de queixa formal e apela aos proprietários para denunciarem qualquer ocorrência, lembrando que essas participações são “essenciais para monitorizar o problema e direcionar recursos para as áreas mais afetadas”.