Museu Rafael Bordalo Pinheiro homenageia José-Augusto França

Por: Mário Beja Santos

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Porventura o maior investigador da obra de Rafael Bordalo Pinheiro, José-Augusto França deixou vasta bibliografia sobre o mestre do desenho do humor em Portugal, analisando a sua obra em múltiplas facetas, caso das suas admiráveis análises ao Zé Povinho. A obra considerada de referência Rafael Bordalo Pinheiro, o português tal e qual (1982) mereceu ao autor palavras de agradecimento à então diretora do museu, Julieta Ferrão por lhe ter fornecido pistas e precisões que lhe permitiram ou o levaram a situar o artista Bordalo Pinheiro onde ele deve estar, em sítio cimeiro da arte portuguesa do seu tempo. Em diferentes momentos José-Augusto França reatou a sua ligação ao museu, caso de 2005, na reabertura das suas portas, em que o historiador contribuiu para o Guia do Museu com o texto O Zé Povinho, sempre o mesmo.

Tendo falecido em setembro, entendeu o museu homenageá-lo revisitando a sua produção historiográfica, organizando-se para tal o núcleo Zé Povinho, identidade e política. Na folha distribuída aos visitantes há mesmo um texto elucidativo:

“Mas porquê, na verdade, tanto trabalho para estudar a obra do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro? Que ela teve uma imensa popularidade no último quartel do século XIX não resta dúvida, e já isso seria razão bastante, se entendermos a cultura como um largo campo onde os índices do consumo têm manifesta importância. Mas acresce que, no quadro artístico desse tempo, Bordalo tem uma importância que deve ser-lhe reconhecida para seu melhor entendimento, num conjunto que engloba outros nomes celebres, como Columbano e Malhoa, seus contemporâneos. Bordalo, emergindo da mediocridade humorística nacional (…) pode oferecer-nos à distância de mais ou menos um século a que nos encontramos hoje, a informação que nos permitirá entender melhor a sua época. A projeção da obra de Rafael Bordalo Pinheiro no tempo português, para além da sua imediata iconografia, constitui, sem dúvida outra e importante faceta dela”. O texto data de 1982 e a sua atualidade é premente.

A exposição que aguarda a sua visita ao núcleo Zé Povinho é composta de excertos da obra de José-Augusto França e alusiva a desenhos de humor do genial artista. Logo Teixeira de Vasconcelos, crítico e cronista lisboeta, desenho magnífico. Segue-se a viagem de Bordalo para o Brasil, qualquer mestre de banda desenhada roerá as unhas de inveja com a minúcia e ironia do conjunto de destes desenhos publicados em O Mosquito, 1875. Os comentários de França acompanham a fina ironia do mestre.

 

2Há uma referência ao Lazareto de Lisboa, situação vivida pela passagem de Bordalo nesta instituição na outra margem do Tejo, uma aventura que deixou a Bordalo lembranças doces e amargas, felizmente o Museu acaba de publicar este livrinho de Bordalo, obra para bibliófilos de desenho de humor.

O visitante acompanha este núcleo e encontra episódios espantosos e terá a grande oportunidade de visualizar obras primas absolutas do humorismo português, como abaixo se reproduz. Mas há muito mais para ver e recomenda-se ao leitor interessado que visite o site do Museu Rafael Bordalo Pinheiro, faça a pesquisa José-Augusto França e leia o primoroso documento A Obra de Bordalo sob o olhar de José-Augusto França, é certo e seguro que desfrutará com o maior prazer a visita a este núcleo com que o museu homenageou o maior historiador de arte do século XX em Portugal.

 

34Mário Beja Santos

 

 

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