Os Efeitos do Coronavírus no Mercado Imobilário Português

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A História dirá se Março de 2020 terá sido o ponto em que o mercado imobiliário português assistiu a uma crise sem igual após largos meses de crescimento ímpar.

De fato, os dados do Portal Imobiliário de Referência Imovirtual revelaram recentemente que, para já, é possível identificar uma travagem a fundo nesse mesmo crescimento. Se no período homólogo anual o crescimento foi de uns incríveis 12% no preço médio de compra e venda, esse mesmo valor desceu para 2% quando comparados Fevereiro com Março de 2020.

Efeitos a Curto Prazo

Ainda estamos num período demasiado embrionário em relação aos efeitos económicos da pandemia e, mais especificamente, no que significará para o mercado imobiliário.

Se por um lado já se haviam notado alguns sinais anteriores de maturação dos preços de compra e venda, todo o modelo estatístico e previsão foi posto de parte no que se refere ao que podemos esperar daqui para a frente.

Como não poderia deixar de ser num cenário de incertezas, existem as previsões mais pessimistas e aquelas que, ainda assim, mantêm algum otimismo remetendo uma forte recuperação económica para 2021.

Inegável será, porém, o facto do Coronavírus ter trazido ao mundo conforme o conhecemos uma enorme e ainda crescente crise económica que terá, inegavelmente, algum tipo de impacto no mercado imobiliário.

Em Cenários de Crise Nascem Oportunidades

Um princípio-base que muitos grandes investidores seguem e que pode ser ampliado para qualquer família.

De facto, um período de crise tem, para além dos seus nefastos impactos, uma capacidade de criar oportunidades que até então estariam vedadas para muitos.

Quer por criar maior descida de preços em mercados altamente inflacionados, como será exemplo o mercado imobiliário, quer em permitir que numa fase de recuperação muitos repensem a sua vida até aqui e optem por mudanças consideráveis.

Como tal, para os que tenham tal possibilidade, é um momento que poderá trazer a oportunidade de comprar a casa que não podia ou arrendar um espaço maior e mais perto do centro da cidade, coisa que não podia fazer há uns meses atrás.

Os Distritos Fortes e o Futuro

Independentemente do que venha a acontecer com o mercado imobiliário português, os dados continuam a demonstrar uma forte polarização em Lisboa, Faro e Porto.

O enorme crescimento turístico levou a tal cenário, com inúmeros investimentos em espaços para aluguer de curta duração e o consequente aumento do preço médio de compra e venda, juntamente com o preço do arrendamento, fortemente penalizado por uma escassez de espaços disponíveis no mercado.

Com efeito o preço médio de compra e venda em Portugal no período de Março de 2019 até Março de 2020 assistiu a uma subida de €316.629 para €354.757, valores seguramente só ao alcance de uma reduzida minoria da população nacional.

Assistimos inclusive a incríveis subidas em Distritos como Évora e Setúbal, onde os preços aumentaram em 21% e ainda assim estão longe de ser os mais dispendiosos para compra de casa em território nacional.

Com Lisboa a superar um preço médio de meio milhão de euros (€573.021), o mercado imobiliário português assistia, até Março de 2020 pelo menos, a uma valorização para lá de qualquer espectativa.

Teremos provavelmente de aguardar até alcançarmos um ponto de retoma e crescimento económico, em muito impulsionado pelo sector do Turismo, para voltar a ver valorizações, mesmo que mais modestas.

 

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