Bordados da Glória do Ribatejo como património imaterial em consulta pública

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O anúncio da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) estipula uma duração de 30 dias para a “consulta pública sobre o projeto de decisão de inscrição da manifestação ‘Os Bordados da Glória do Ribatejo’ no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”.

“Os elementos constantes do processo de inventariação da manifestação ‘Os Bordados da Glória do Ribatejo’ encontram-se disponíveis para consulta” ‘online’ na MatrizPCI, “sistema de informação de suporte ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”, podendo os contributos ser, também, enviados por correio registado para a DGPC, afirma o aviso.

Segundo o aviso hoje publicado, concluída a consulta pública, a decisão sobre o pedido será tomada no prazo de 120 dias.

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O dossier da candidatura para classificação dos bordados típicos da povoação de Glória do Ribatejo a Património Cultural Imaterial Nacional foi entregue pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém, no dia 17 de fevereiro de 2020.

A candidatura destacava “a produção e uso dos bordados a ponto de cruz de Glória do Ribatejo […] presente no quotidiano da freguesia há várias gerações”, uma “arte popular” que resulta de um “saber-fazer, transmitido oralmente e em contexto prático pelas mulheres glorianas”, aplicado, nomeadamente, em peças de vestuário ou roupa de casa, entre outras.

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“Por um lado, esta expressão artística e também cultural era o reflexo de uma necessidade prática da mulher gloriana que, com poucos recursos, tentava dar algum requinte à sua indumentária, aplicando os bordados em todas as peças que costurava à mão, mas, por outro lado, permitia assinalar um estatuto ou relação pessoal e social”, afirma a ficha de candidatura.

Essa projeção para o espaço público de “um testemunho de um estatuto, pessoal e social do seu portador” tornou “estes bordados, também, uma marca na identidade dos habitantes desta freguesia e fazem parte da sua cultura e das suas tradições”, acrescenta.

“A interpretação pública do próprio bordado era, em si mesma, um verdadeiro evento. A simbologia e funcionalidade associadas à aplicação destes bordados confere-lhes características que os diferencia dos outros bordados, sem qualquer expressão comercial ou de ostentação de riqueza, já que estas peças deixam transparecer o rigor e o preceito de quem as borda”, sublinhava ainda o documento apresentado pelo município.

A candidatura, iniciada em 2018, foi preparada em conjunto com a Universidade de Évora, instituição que havia já sido parceira do município no processo de classificação da Falcoaria Real de Salvaterra de Magos pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

“Não estamos a falar apenas da técnica e da tipicidade dos bordados glorianos, mas de todo o estudo que está associado a esta arte ancestral”, afirmava o município no apelo feito, na altura, ao envolvimento dos parceiros locais (associações, Instituições Particulares de Solidariedade Social, junta de freguesia e população da Glória do Ribatejo).

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“O objetivo da autarquia é preservar a história, os costumes e tradições de Glória do Ribatejo, como sejam as expressões orais, os trajes, o artesanato, a decoração das habitações, entre outros aspetos que marcam a autenticidade cultural da comunidade local”, afirmou, então, o presidente do município, Hélder Esménio.

Lusa

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