Carta Aberta à Paróquia de Tomar

Carta Aberta à Paróquia de Tomar

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Dirigo-me à Paróquia de Tomar, mas não sei se é, ou não, da sua responsabilidade a colocação de um cartaz, alusivo à Jornada Mundial da Juventude, que vai ocorrer este ano, em Lisboa, na Torre da Igreja de Santa Maria dos Olivais.

Não está em causa a divulgação que pretendem fazer deste evento católico, não tenho nada contra que se realizem jornadas, ou outro tipo de manifestação religiosa. As convicções religiosas de cada um, a mim não me dizem respeito. Respeito todos as religiões e credos desde que não ponham em causa o livre arbítrio de quem não professa qualquer religião.

Mas, o que me traz aqui hoje, é de facto a colocação do cartaz nesta Torre. Trata-se de património classificado de Tomar, (Torre anexa à Igreja de Santa Maria dos Olivais, de planta retangular composta por dois andares. Inicialmente teve a função de atalaia, mas foi adaptada a sineira nos tempos de D. Manuel I), que considero abusivo e desrespeitoso, até mesmo assumindo uma atitude gravosa de atentado ao património. Para manter o cartaz hirte, foi atado com arame a duas argolas de ferro, uma de cada lado, que foram introduzidas nos intervalos da pedra. Quando forem retiradas criam um vácuo que com o tempo é mau para a estabilidade das pedras.

Há ainda a considerar que, qualquer associação, empresa ou instituição que deseje publicitar um evento na cidade ou no concelho, tem de pedir autorização à Câmara de Tomar para a colocação dos respetivos cartazes. E nesta situação em concreto, foi feito algum pedido à autarquia? Julgo que não.

Na verdade, há muito que em Tomar a Igreja se julga com autoridade de alterar ou acrescentar pormenores no património edificado. Segundo reza a história, este foi cedido à Igreja católica para a realização do culto, não para tomar medidas que possam colocar em causa esse mesmo património.

Provavelmente, estas palavras não serão bem aceites pela Paróquia, nada me move contra a mesma, nem pela publicitação das suas manifestações religiosas, mas pelo amor de Deus, usem outros meios, e/ou locais, nunca o património classificado de interesse público. 

Isabel Miliciano

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Arame que estica o cartaz a manter-se  hirte20230401 164809

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