Chamusca camara

De Tó Carvalho a Manuel Conceição

Por: Alexandre Horta

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Tó Carvalho
Quadros de Tó Carvalho

Nos últimos anos a elevação do nível de vida e o desenvolvimento do urbanismo em Portugal, contribuíram para significativa democratização da cultura e uma mudança de práticas e consumos culturais. As autarquias locais tiveram e têm um papel muito importante nessa mudança do acesso à cultura.

Numa cidade moderna, a diversidade de oferta cultural é sinal de vitalidade e de desenvolvimento. Deve de ser valorizado o património e as marcas facilmente identificáveis pelo visitante, mas também devem de ser cada vez mais valorizadas ofertas completares que, eventualmente, contribuam para que esse visitante consiga manter-se ocupado e interessado por mais alguns dias.

Tudo isto poderá ser adaptado a Tomar: com o Convento de Cristo património da humanidade e com a marca  templários. A área mais deficitária é realmente a da oferta complementar, que poderia, em minha opinião, ser mais abrangente.

Quero enunciar dois exemplos que poderiam muito bem aumentar essa oferta complementar, a tudo o que já existe em Tomar, mas que nunca é demais, porque os públicos alvo poderão ser cada vez mais diversificados.
O primeiro exemplo é o do espólio do artista Tó Carvalho. Pintor de renome da nossa cidade que já expôs as suas obras um pouco por todo o mundo e que na sua coleção, entre outras coisas, tão bem retrata Tomar e as suas gentes.

Tó Carvalho já demonstrou interesse em ceder os seus quadros para serem expostos em local condigno criado para esse efeito. Até agora, pelo que se sabe, nenhuma entidade local, leia-se Câmara Municipal e União das Freguesias de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais, manifestaram qualquer interesse nesse valioso espólio. Até quando vão esperar para intervirem nesta situação?

Manuel Augusto Baptista da Conceicao
Manuel Augusto Baptista da Conceicao (já falecido)

O segundo exemplo é o espólio de Manuel Augusto Baptista da Conceição, do qual fazem parte significativo número de brinquedos destinados à constituição de um Museu do Brinquedo e ainda uma coleção de cerca de quatrocentas máquinas fotográficas.

Neste caso o processo estaria mais avançado. Em 2019 a Câmara Municipal de Tomar anunciou a assinatura de um protocolo de cedência e inventariação das peças, mas com a morte do doador em 2020, os familiares contestaram essa cedência e a situação entrou num contencioso ainda hoje por resolver. Para quando o entendimento entre as partes?

Estes são apenas dois exemplos de património de pessoas que gostaram e gostam de Tomar e que se orgulhariam de ver a sua obra valorizada. São exemplo ainda do que se poderia realizar para diversificação da oferta cultural da cidade. Oportunidades como estas não se podem menosprezar. Está em causa um valioso património que muitos concelhos não se importariam de possuir e que Tomar continua a ignorar.

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