“A PSP de Tomar acaba de apreender, nas tabacarias e cafés da cidade, os exemplares que restavam da última edição. Segundo o comandante da corporação, esta limitou-se a cumprir uma ordem emanada do Tribunal de Tomar que, como todos os outros, depende do Ministério da Justiça (…)”, assim relatava o artigo publicado n’ O Templário na edição de 20 de janeiro de 1978.
Mais adiante, no mesmo artigo, conta que a apreensão ocorreu também em Lisboa, à época O Templário tinha uma delegação em Lisboa, e distribuição a nível nacional, sob a direção da saudosa Fernanda Leitão.
“O TEMPLÁRIO ALVO DE BUSCA”
“No dia 17 do corrente, pelas 19h30, a delegação dos TEMPLÁRIO, em Lisboa, foi alvo de busca por parte da Polícia Judiciária Saturnino Ramos, António Caetano e Armando Branco. Segundo versão dos referidos agentes, a ordem foi emanada do Tribunal de Tomar, na pessoa do juiz Francisco Afonso. A busca efectuou-se e os agentes levaram consigo 91 exemplares do n.º 1345 de 13 de janeiro, existentes na redacção”.
Um facto histórico, na vida deste jornal, e na história da imprensa portuguesa, uma vez que a censura já tinha acabado com a Revolução de Abril.
A diretora, Fernanda Leitão, era pessoa non grata da política dominante da época, porque receava que o país caísse numa nova ditadura, depois de 48 anos de salazarismo. Não poupou esforços e críticas no combate às políticas seguidas pelos então governantes. Passou a ser alvo de perseguição política, tendo sido obrigada a exilar-se no Canadá, onde viveu até ao fim dos seus dias.
Aqui fica em sua memória, uma singela homenagem pela coragem e combatividade que demonstrou ao longo da sua vida.
Obrigada Fernanda Leitão, por tão grande exemplo que nos deu!
Isabel Miliciano







