A região do Médio Tejo entrou hoje numa nova era na prestação de cuidados de saúde com a realização, no Hospital de Tomar, da primeira cirurgia urológica assistida por robô. A intervenção — uma prostatectomia radical, considerada o procedimento robótico mais realizado no mundo no tratamento do cancro da próstata — assinala um passo decisivo na modernização clínica da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo.
Dia 16 de abril de 2026, dia histórico que coloca o hospital de Tomar na vanguarda da inovação médica
O momento é histórico para a instituição e para a região: a introdução da cirurgia robótica coloca o Hospital de Tomar no mapa da inovação médica em Portugal, reforçando a capacidade de resposta em áreas altamente diferenciadas, como a oncologia urológica.
A operação foi conduzida por uma equipa liderada por João Carlos Dias, diretor do Serviço de Urologia, recentemente formado na Bélgica no âmbito do processo de implementação desta tecnologia. O especialista sublinha o impacto direto desta evolução: “Trata-se de uma tecnologia que melhora significativamente a precisão cirúrgica e os resultados para o doente, especialmente em contexto oncológico.”
A prostatectomia radical assistida por robô permite a remoção completa da próstata afetada por tumor, com uma abordagem mais precisa e menos invasiva. Entre os principais benefícios estão a preservação da continência urinária e, em casos selecionados, da função erétil — fatores determinantes na qualidade de vida dos doentes.
Diminui o risco de infeção e acelera a recuperação, encurtando o tempo de internamento.
Baseada numa evolução da laparoscopia convencional, a cirurgia robótica distingue-se pela utilização de um sistema avançado controlado pelo cirurgião a partir de uma consola. Com visão tridimensional de alta definição e movimentos altamente precisos, esta tecnologia reduz perdas de sangue, diminui o risco de infeção e acelera a recuperação, encurtando o tempo de internamento.

O sistema agora em funcionamento — modelo HUGO RAS — representa um investimento de 2,4 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A sua aquisição integra uma estratégia mais ampla de modernização da ULS Médio Tejo, alinhada com as melhores práticas internacionais.
A aposta não se limita à tecnologia. A formação das equipas está no centro da estratégia. Segundo João Carlos Dias, está já em curso a preparação de mais quatro profissionais, numa lógica de crescimento sustentado e interdisciplinar, que poderá envolver áreas como a Ginecologia, nomeadamente na oncologia e no tratamento do pavimento pélvico.

Para a administração da ULS Médio Tejo, este avanço tem também um efeito estruturante na atratividade dos serviços. O presidente do Conselho de Administração, Casimiro Ramos, destaca que a cirurgia robótica “é hoje um fator de diferenciação”, acrescentando que já se registam manifestações de interesse de cirurgiões que pretendem integrar projetos clínicos altamente especializados na instituição.
2026, ano de expansão da cirurgia robótica
Com a Urologia a inaugurar esta nova fase, a expectativa é de crescimento. A administração prevê que 2026 seja um ano de expansão da cirurgia robótica a outras especialidades, consolidando o posicionamento do Médio Tejo como um polo emergente de inovação na saúde em Portugal.
Mais do que uma conquista tecnológica, o dia de hoje simboliza uma mudança de paradigma: cuidados mais avançados, maior capacidade de resposta e uma região que se afirma, cada vez mais, na linha da frente da medicina moderna.
Fonte: ULS Médio Tejo






