As singularidades e desafios postos a um envelhecimento bem-sucedido

Por: Beja Santos

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Acabo de ler um trabalho interessantíssimo, “Vida com vigor na terceira idade”, de Fátima Quelhas Figueiredo, enfermeira e perita em gerontologia, Edições Vieira da Silva, 2019.

A autora vai focar o envelhecimento e a atividade física, mas não deixa de contextualizar o processo do envelhecimento, que é programado geneticamente e comum a todos os seres vivos, mas que porém não ocorre no organismo de forma homogénea.

De facto, nós não envelhecemos biopsiquicamente de forma igual. O envelhecimento não é uma patologia, é um fenómeno puramente natural, física e irreversível. Manifesta-se através de alterações, dá-se alguns exemplos. No sistema respiratório, diminui a elasticidade pulmonar e também o tónus dos músculos envolvidos na respiração; o sistema gastrointestinal atrofia-se, caso da mucosa gástrica, o intestino delgado vê a sua capacidade reduzida pela diminuição na produção de sucos intestinais; reduz-se igualmente a capacidade funcional do sistema musculosquelético; o envelhecimento provoca também alterações no sistema geniturinário, os rins, principais reguladores no organismo, atrofiam e perdem capacidade para concentrar urina. E podíamos continuar, com referências ao sistema endócrino/metabólico, ao que se irá passar nos nossos sentidos.

Viver-se-á com uma vida com mais qualidade desde que se adote uma nova atitude cultural, perfilhando estilos de vida saudáveis, cultivando a literacia em saúde, os autocuidados, os exames médicos, gerindo o mais escrupulosamente possível as doenças crónicas, envelhecimento é, regra geral, sinónimo de polipatologias e polimedicação. Não esquecer que a definição de saúde abarca bem-estar físico, mental, social e espiritual. Querer ter sucesso no processo de envelhecimento é cuidar da autonomia.

Envelhecer é a única forma que existe de viver muitos anos. Inevitavelmente, haverá transformações no nosso corpo e no nosso espírito. A chave é prevenir os desgastes, retardá-los, zelar pela aptidão física, esta é o principal inimigo da artrite, da hipertensão, das doenças cardíacas, das limitações da mobilidade, e até das depressões e da demência. Um dos pilares da literacia em saúde é tornar natural na nossa existência a certeza de que há enormes benefícios associados à atividade física regular.

Literacia em saúde é também dedicar uma atenção especial às terapêuticas, já que os medicamentos atuam na idade avançada diferentemente de quando somos jovens adultos. Já falámos em alterações orgânicas e funcionais, não se podem aludir, como se exemplifica. O sénior tem menor acidez gástrica, o que pode modificar a absorção de alguns medicamentos, a diminuição dos movimentos intestinais pode também contribuir para uma absorção mais lenta dos medicamentos. Há medicamentos que antes de atuarem sofrem de inativação no fígado ou no intestino, o que implica que a quantidade ativa passa a ser inferior àquela que se toma.

Há muito mais a dizer, por isso o cuidado nas escolhas dos medicamentos na idade avançada é primordial. E há mesmo as interações entre medicamentos. Um envelhecimento bem-sucedido requere uma boa gestão da nossa saúde. O sénior tem que estar alertado para os perigos da automedicação, para o que fazer em tempo de canícula ou de frio intenso, o que há hoje de decisivo na vacinação e que mesmo para os chamados males ligeiros (olho seco, gengivite, prisão de ventre, alguns problemas gástricos…) quando convenientemente tratados podem evitar doenças mais sérias. Literacia em saúde neste envelhecimento bem-sucedido é saber contar com o aconselhamento do seu médico de família, do seu farmacêutico e do seu enfermeiro.

E não se esqueça que uma boa gestão da doença crónica evita urgências e hospitalizações, acamamentos.

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