O Público divulgou uma investigação, na edição do passado domingo, sobre 79 escolas portuguesas que receberam, nos últimos dois anos letivos, influenciadores digitais com conteúdos sexualizados, misóginos ou ligados à pornografia, normalmente durante campanhas para associações de estudantes.
Segundo a investigação deste jornal, alguns dos influenciadores convidados produzem ou promovem conteúdos pornográficos em plataformas online. As visitas incluíam aparições nas escolas, animação de eventos ou promoção de candidaturas às associações de estudantes.
Refere ainda a investigação do Público que em vários casos, alunos mais novos tiveram contacto com conteúdos explícitos associados a esses influenciadores nas redes sociais. Um dos casos citados envolve um influenciador que partilhava nas redes links para pornografia e para a sua página de conteúdo adulto, enquanto publicava vídeos das visitas às escolas.
Inspeção-Geral da Educação e Ciência abre inquérito
Esta investigação teve grande impacto, tendo a Inspeção-Geral da Educação e Ciência decidido abrir inquéritos a diretores das escolas mencionados. Também vários partidos políticos com assento na Assembleia da República já pediram explicações ao Ministério da Educação. Por sua vez, os Sindicatos de professores alertaram para a “sexualização precoce” e a exploração comercial de alunos.
O ministro da Educação afirmou que a responsabilidade pela entrada de convidados nas escolas é das direções escolares, embora tenha sido aberto um processo de averiguação.
A investigação do Público incidiu sobre vídeos publicados no TikTok, Instagram e outras redes; fotografias tiradas dentro das escolas; testemunhos de alunos e professores e publicações feitas pelos próprios influenciadores. A partir desse cruzamento de dados foi possível, refere o Público, identificar dezenas de escolas onde estes eventos ocorreram.
Os influenciadores eram convidados para: animar campanhas eleitorais das associações de estudantes para participar em festas escolares ou “semanas académicas” do secundário ou gravar vídeos com alunos dentro da escola. Muitas vezes apareciam: em palco a dançar ou a fazer “shows” com linguagem sexualizada ou machista e incentivando os alunos a seguir as suas páginas online. Alguns alunos que os seguiam nas redes descobriam depois que esses influenciadores vendiam conteúdos pornográficos ou eróticos em plataformas pagas.
Em certos casos, vídeos dessas visitas foram publicados nas redes sociais dos influenciadores para aumentar a audiência e ganhar seguidores.
Do distrito de Santarém, surge nessa lista de escolas, a Escola Básica 2,3 e Secundária Pedro Ferreiro de Ferreira do Zêzere e a Escola Secundária Marquesa de Alorna em Almeirim.
Não consta da lista dos 79 estabelecimentos de ensino, qualquer escola de Tomar, que tivesse recebido a visita dos referidos influenciadores.





