Embaixador José Manuel Arsénio lançou novo livro “O Dissídio Iraniano”

José Manuel Arsénio, natural de Tomar, ingressou na carreira diplomática em 1974 e dentro do seu percurso diplomático, foi embaixador de Portugal em Teerão e Caracas.

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O DISSIDIO IRANIANOTeve lugar no Salão Nobre do Palácio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, o lançamento do mais recente livro do Embaixador (Tomarense) Jubilado – José Manuel Arsénio, perante uma plateia de cerca de 50 convidados, entre antigos colegas embaixadores e amigos.

José Manuel Arsénio, natural de Tomar, ingressou na carreira diplomática em 1974 e dentro do seu percurso diplomático, foi embaixador de Portugal em Teerão e Caracas.

O Livro “O Dissídio Iraniano” é um testemunho da confrontação política interna na República Islâmica do Irão e segundo a nota preambular do livro, com cerca de 250 páginas “o presente trabalho tem, como tema central, a confrontação politica entre o conservadorismo fundamentalista e o reformismo liberal no seio da República Islâmica do Islão – uma disputa que, em determinados momentos, assumiu contornos altamente tumultuosos e inusitadamente violentos”. O período em que se registaram os acontecimentos descritos, nesta obra, corresponde a oito ano (1997-2005), coincidentes com os sete anos em que o Embaixador chefiou a Missão Diplomática de Portugal no Teerão.

O título do livro – dissidĭu -, do latim, tem como sinónimo discórdia, desacordo, desarmonia, desavença, diferendo, ou oposição.

Coube ao apresentador da obra, o professor universitário Marco Farias Ferreira, apresentar a mesma, tendo referido que é um livro, “ no qual eu aprendi e obtive conhecimentos muito importantes e é uma obra fundamental a quem quer conhecer o Irão por dentro, já que em Portugal não abunda muita literatura em português e muito menos vivida por atores políticos” tendo salientado que um diplomata “é um observador privilegiado, num país difícil de penetrar. E, este livro vem trazer uma riqueza de leitura da vida política do Irão, a tensão entre as forças renovadoras e conservadoras, indo além disso mais a fundo falando-nos da sociedade civil, onde a comunicação social portuguesa não entra, bem como a estrangeira “.

A excelente qualidade literária do livro, foi  referida no atributo que o Embaixador nos dá, pois fica-se a conhecer melhor o Irão e os estudantes de licenciatura em Relações Internacionais, que passam a dispor de mais uma importante ferramenta de estudo e trabalho.

Do Embaixador José Manuel Arsénio tivemos uma lição de sapiência deste país, o Irão, limitado a Norte pelo Mar Cáspio, o Arzerbeijão e a Arménia, a Nordeste pelo Turquemenistão, a Leste pelo Afeganistão e o Paquistão e a Oeste pela Turquia e o Iraque e a Sul pelo Golfo Pérsico e Mar de Omã e que foi conhecido há muitos anos por Pérsia.

A revolução bolchevista, em 1917, fez desaparecer, momentaneamente, a Rússia do xadrez geopolítico, tendo a Grã Bretanha estendido a sua influência preponderante sobre toda a Pérsia, explorando as riquezas petrolíferas do subsolo do país.

Em 1951 Mosaddeq, que foi investido como primeiro ministro, tomou a decisão de nacionalizar o petróleo e agastados com a situação, americanos e britânicos forjaram em 1953 um golpe de estado para derrubar Mosaddeq. Porém, só lendo o livro nos inteiramos de todos os testemunhos de confrontação e entendemos melhor as notícias que nos chegam, por vezes deturpadas deste país.

Depois do lançamento do Livro a “Satrápia do Kosovo” de José Manuel Arsénio uma obra que visa, essencialmente, discorrer sobre o dissentismo cultural, o antagonismo étnico, a emulação religiosa, as incidências endógenas e o intervencionismo externo, que perfizeram o conjunto de circunstâncias conducente à deflagração do conflito bélico no Kosovo.

O Embaixador deixa-nos agora esta importante obra, e sempre baseada no que os seus olhos viram, no cargo para o qual foi nomeado em Teerão e no, livro “Satrápia do Kosovo”, baseou-se , em parte, nos dados da experiência adquirida ao longo do período em que “chefiámos a Delegação Portuguesa junto da Missão de Monitores da Comunidade Europeia (ECMM), em Zagreb, de Novembro de 1992 a Agosto de 1995, durante o qual tivemos o ensejo de nos deslocarmos ao âmago territorial de Kosovo e Metohija, onde pudemos colher o essencial sobre a conflitualidade emergente na região, não só como fruto da nossa presencial observação directa, mas também em resultado dos múltiplos contactos pessoais mantidos com representantes da soberania sérvia “ regista.

António Freitas

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