Sexta-feira, 2 Janeiro 2026
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Seis novos hospitais privados vão transformar o mapa da saúde no distrito de Leiria

Nos próximos dois a três anos, o distrito de Leiria poderá assistir a uma transformação histórica na oferta de saúde: seis novos hospitais privados estão em fase de projeto ou licenciamento, três em Leiria e outros três nas Caldas da Rainha. Nunca tantos milhões tinham sido prometidos para a saúde privada na região, nem tantos grupos concorrentes tinham escolhido investir em simultâneo no mesmo território.

Seis novos hospitais privados vão transformar o mapa da saúde no distrito de Leiria
Hospital da CUF. Foto: JL

Em Leiria, a CUF já confirmou um investimento de 50 milhões de euros para erguer o Hospital CUF Leiria, com abertura prevista para 2026. O grupo já inaugurou uma clínica na cidade, antecipando serviços e conquistando utentes. A poucos quilómetros, o grupo Lusíadas Saúde prepara-se para entrar em força, tendo já um pedido de licenciamento submetido em nome da Urbansupport, mas destinado a uma nova unidade hospitalar. A par destes, avançam também projetos de expansão do Grupo Beatriz Godinho e da Sanfil Saúde, que prometem reforçar e modernizar a rede já existente.

Hospital Beatriz Godinho com projetos de expansão, em Leiria. Foto: JL

Nas Caldas da Rainha, a promessa é ainda mais disruptiva: a cidade pode passar de nenhum para três hospitais privados em simultâneo. O Grupo Luz Saúde já obteve aprovação para instalar uma unidade com bloco operatório, internamento de curta duração e centro de imagiologia. Também a CUF e o Montepio Rainha D. Leonor anunciaram intenções de avançar com hospitais privados, transformando radicalmente a paisagem local.

Hospital da Luz em Leiria. Foto: JL

Se todos os anúncios se concretizarem, estarão em causa centenas de milhões de euros em investimento direto. O distrito passará a ter uma rede privada capaz de servir mais de meio milhão de habitantes, com forte aposta em especialidades de ambulatório, diagnóstico avançado e internamento.

Mas a mesma promessa abre várias interrogações:

  • Haverá médicos e enfermeiros suficientes para alimentar em simultâneo seis novas unidades privadas sem fragilizar o Serviço Nacional de Saúde?

  • Que impacto terão estes hospitais na sustentabilidade do Hospital de Santo André (CHL), já pressionado pela falta de recursos humanos e pela procura crescente?

  • A multiplicação da oferta privada poderá traduzir-se em maior concorrência e melhores serviços, ou corre o risco de provocar sobrecapacidade e aumento de custos?

Público versus privado: quem vai beneficiar?

Outro ponto crítico é a acessibilidade. Ainda não é claro se estas unidades irão estabelecer acordos com o SNS para cirurgias e exames em tempo útil, ou se funcionarão sobretudo para clientes com seguros e subsistemas de saúde. O risco de criar uma “saúde a duas velocidades” é uma preocupação levantada por sindicatos e associações de utentes.

Num distrito onde a população exige há anos mais recursos para os hospitais públicos, a chegada em bloco de seis hospitais privados representa, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um risco. Por um lado, promete atrair investimento, criar emprego qualificado e reduzir tempos de espera. Por outro, pode fragilizar o sistema público e criar desigualdades no acesso a cuidados.

Certo é que, se os planos não ficarem pelo papel, Leiria e Caldas da Rainha deixarão de ser periferia para se tornarem um dos epicentros nacionais da saúde privada.

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