PSD: Parados no tempo

Por: Luís Ferreira*

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Luís Ferreira

O último dia de novembro observou, como é hábito, a realização de mais uma reunião ordinária da Assembleia Municipal, onde desta feita entre os mais variados assuntos se discutia a aprovação – que se viria a realizar, para a desagregação das freguesias da Serra e da Junceira. Deu-se o caso de, por mero acaso, ter ouvido parte da intervenção do ex-vereador Tenreiro (PSD), a propósito deste assunto, acusando o PS – pasme-se, de ter sido o responsável pela extinção destas freguesias, ora propostas de serem desagregadas, numa completa subversão da verdade e do mais elementar bom senso. Percebe-se agora, passada esta década, as razões pelas quais a liderança de Tenreiro no PSD sempre esteve votada ao mais completo fracasso, pois quem nasce para lagartixa nunca chegará a jacaré, como habitualmente outro conhecido articulista local peneja.

Em abono da verdade, convém relembrar que em Setembro de 2011 o Governo PSD-CDS, argumentando que o acordo com a troika o exigia, avança com um “Livro Verde para a Reforma Administrativa”, que propunha as regras para a “agregação” de Freguesias – leia-se “extinção” de Freguesias. Em Março de 2012, o PS de Tomar clarifica a sua posição sobre esta “pretensa” Reforma Administrativa, (disponível em http://pstomar.blogspot.com/2012/03/ps-nao-aceita-extincao-de-freguesias-no.html), afirmando-se aí que “Recusamos a extinção de freguesias no concelho de Tomar e tudo faremos para que o governo PSD e CDS oiça os nossos autarcas e a população de Tomar através das assembleias de freguesia”, como legítimas representantes das populações.

Em abril de 2012, após profunda polémica, a lei viria a ser publicada, contendo um estratagema típico de quem é incapaz de assumir as suas responsabilidades, com um prazo de 90 dias, que se esgotou a 28 de Agosto de 2012, para que as Assembleias Municipais, caso o desejassem, se pronunciarem sobre a “agregação de Freguesias”, sendo que no caso do Concelho de Tomar, o mínimo de freguesias rurais a serem agregadas (extintas) – em 14, poderiam passar de oito para apenas seis. Quanto às urbanas, a Lei levava de imediato á extinção de Santa Maria dos Olivais e S.João Batista. O PSD local, em Junho de 2012, solicitou ao PS uma reunião para discutir o assunto, que se realizou e que teve como resultado uma posição oficial do PS, (disponível em http://pstomar.blogspot.pt/2012/06/o-psd-tem-de-ter-coragem-de-dizer-quais.html), de onde ressalta a única questão relevante e que é a conclusão de hoje: “O PSD, autor da Lei, governando o Concelho e metade das suas Freguesias, tem de assumir QUAIS AS FREGUESIAS QUE QUER EXTINGUIR NO CONCELHO DE TOMAR”. O que nunca fez, nem há dez anos, nem hoje. A extinção de dez freguesias do Concelho de Tomar – Além da Ribeira, Pedreira, Alviobeira, Casais, Beselga, Madalena, Junceira, Serra, Santa Maria e S.João – viria a ser formalizada por lei de 16/1/2013.

A leviana acusação do então líder do PSD, dez anos passados, ao pretender subverter a realidade da autoria da lei – do governo PSD/CDS de 2011/12, tentando passar para o PS o ónus de uma decisão unilateral então tomada, ao arrepio de qualquer formulado desejo de agregação de freguesias, é mais do que um verdadeiro disparate, uma patranha eivada da mais básica má-fé.

No atual contexto, de uma lei que em boa hora veio dar às freguesias o direito que há uma década a direita negou às populações, bastaria ao PSD ter-se congratulado com a livre escolha das populações da Serra e da Junceira. Apesar de todas as dificuldades, estas populações manifestaram o desejo de continuar separados o desenvolvimento do trabalho nestes quase dez anos realizado – com o empenhado apoio da atual Câmara PS, após décadas de gestão de direita (PSD e CDS), que levaram a que esta zona do Concelho de Tomar, estivesse com os mais baixos índices de caminhos e estradas transitáveis, e de apoio ao associativismo local e outros serviços de interesse das populações.

O PSD, responsável pelo subdesenvolvimento histórico da zona, há uma década promoveu deliberadamente a extinção dessas duas – e de mais outras oito freguesias do Concelho, ao vir hoje com este inconcebível argumentário, mais não demonstra que estar a viver num passado, que pelo caminho tomado, NUNCA os levará a um futuro de poder em Tomar. A Junceira e a Serra agradecem e o restante Concelho também. Quem vive no passado, fica irremediavelmente nele preso, sendo irrelevante para o futuro. O PSD local trilha para 2025, o mesmo caminho que o levou à perda do poder em 2013. Temos pena!

*Luís Ferreira – Vereador eleito pelo PS no mandato 2009/13

 

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