Em tempos de pandemia, não descurar as infeções respiratórias na infância

Por: Mário Beja Santos

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Estas Infeções Respiratórias (IR) definem-se por afetar o trato e os órgãos do sistema respiratório, no todo ou em parte, portanto vias respiratórias superiores (nariz e garganta e também ouvidos) e inferiores (brônquios e pulmões). O organismo da criança, como é do senso comum, é por natureza mais vulnerável e pode ser mais afetado pelos chamados fatores de risco. Felizmente estas IR conhecem geralmente uma evolução benigna e autolimitada, mas há fatores de risco que podem contribuir para um agravamento da infeção: tabagismo passivo, alergias, contato com poluentes, em casa ou fora, e não podemos esquecer a importância que tem o ambiente das creches e dos infantários.

As dores de garganta causam secura e dor – a distinção entre uma dor de garganta de origem viral ou bacteriana é importante para determinar o tratamento. A congestão nasal ou nariz entupido é um sintoma comum a muitas das IR superiores. A tosse é um sintoma de alerta, mas não é uma doença, é reflexo protetor das vias respiratórias. A constipação é a infeção vírica mais frequente. Recorde-se que a constipação distingue-se da gripe, da rinite alérgica e da sinusite. Ao contrário da constipação, a gripe surge de forma súbita, com febre elevada, acarreta prostração e dores elevadas e intensas; na rinite alérgica não há febre e a alergia manifesta-se por vários dias a fio; a sinusite apresenta-se com congestão nasal, tosse noturna, dores faciais.

Em geral, é importante oferecer muitos líquidos às crianças, limpar adequadamente as fossas nasais com soro fisiológico, três a quatro vezes por dia, e pode combater-se a febre com antipirético, mas sempre com aconselhamento médico ou indicação farmacêutica. As IR do trato respiratório inferior que mais pesam na criança são a bronquiolite e a pneumonia. Na maior parte dos casos, a bronquiolite evolui e as dificuldades respiratórias desaparecem espontaneamente em poucos dias.

É escusado andar a pedir ao seu farmacêutico antibiótico, pois este é apenas eficaz contra bactérias e a maioria das infeções que afetam as crianças são causadas por vírus e resolúveis, por si, em três a sete dias. No tocante à dor de ouvidos, quando for mais intensa, pode vir a ser necessário dar um medicamento para alívio da dor. Também nestes casos os pais devem saber contar com o aconselhamento farmacêutico para selecionar o medicamento mais seguro e adequado, havendo de ter em consideração que as dores de ouvidos em menores de dois anos devem ser tratadas exclusivamente pelos médicos.

Estamos a falar de uma temática em que o aconselhamento farmacêutico pode ter um papel preponderante, é valioso na indicação de medidas não farmacológicas e de medicamentos para alívio de sintomas associados a IR. Pode ainda representar uma ajuda preciosa na identificação de sintomas que devem levar a consultar de imediato o médico. Exemplos não faltam: escolha de medicamento muito criteriosa no caso da constipação; lembrar que a prevenção da gripe é conseguida fundamentalmente através da vacinação.

É de esperar que o farmacêutico coloque questões aos pais quando vêm à farmácia procurar um medicamento de alívio ou conforto para as IR na criança: quais as queixas, qual a intensidade, se já está a tomar outros medicamentos. E dar conselhos quanto às razões porque indica este ou aquele fármaco. Os pais devem estar informados sobre as medidas de prevenção do contágio de IR e sensibilizados para os fatores ambientais ou de estilo de vida que devem ser corrigidos para assegurar um maior bem-estar à criança.

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