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Igreja da Linhaceira assinala 100 anos do início da construção com obras de limpeza

Assinalar o centenário do início da construção da Igreja da Linhaceira está a ganhar um significado especial para a população local. Cem anos depois de, em 1926, os habitantes da então aldeia dos Casais da Linhaceira terem unido esforços para erguer a sua capela, arrancaram agora trabalhos de limpeza e lavagem das fachadas do edifício, numa intervenção que surge como um primeiro passo para devolver dignidade a um dos principais símbolos da comunidade.

O alerta para o estado de degradação da igreja foi recentemente lançado nas redes sociais, por Jorge Franco, através de uma publicação acompanhada por uma fotografia de Rui Garcia Simões, onde era visível o avançado desgaste das paredes exteriores, marcado pelo musgo, fissuras e sinais evidentes de falta de conservação.

Igreja da Linhaceira assinala 100 anos do início da construção com obras de limpeza

A iniciativa pretendia criar uma rede de apoio para a recuperação do edifício e rapidamente reuniu manifestações de disponibilidade de vários habitantes da Linhaceira. Contudo, a surpresa surgiu quando, ao ser solicitado um orçamento para a pintura da igreja, uma empresa informou que já tinha sido contactada por alguém da terra e que os trabalhos deverão avançar em breve.

A notícia foi recebida com satisfação por quem tem procurado mobilizar a população para a preservação daquele património. “Afinal, ainda há quem ache que as paredes da igreja merecem mais do que musgo, fissuras e resignação”, refere um dos promotores do apelo, lembrando também o esforço das gerações que participaram na construção do templo, entre elas o seu avô, Augusto Lopes, responsável pela execução dos tirantes de ferro que ainda hoje ajudam a sustentar a estrutura.

A história da igreja remonta a 1926, quando a população dos Casais da Linhaceira concretizou um antigo desejo: construir uma capela própria, evitando as difíceis deslocações a pé até à igreja paroquial da Asseiceira para assistir à missa, catequese, baptizados ou casamentos.

A obra tornou-se possível graças à doação do terreno por João Alves e ao impulso dado pelo padre Mata, pároco de Asseiceira, e por D. Luís Filipe de Castro, Conde de Nova Goa e proprietário da Quinta da Bezelga de Cima. Toda a construção assentou num enorme esforço comunitário: o tijolo e a telha eram produzidos nos fornos da região, a pedra extraída manualmente, e as madeiras vindas dos pinhais das quintas vizinhas.

A inauguração aconteceu a 30 de Maio de 1928, com a chegada em procissão da imagem de Nossa Senhora do Conforto dos Aflitos, vinda da Quinta de Cima, seguindo-se dois dias de festa animados pela banda do Outeiro Grande.

Cem anos depois do início da construção, a igreja continua a ser vista como um símbolo do esforço colectivo e da identidade da Linhaceira. A intervenção agora iniciada é encarada pela população como um sinal de esperança para que o edifício possa atravessar mais um século ao serviço da comunidade.

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