Espetáculos pagos na Feira de Santa Iria geram polémica na Câmara de Tomar. Pela primeira vez, o público terá de comprar bilhete para assistir a vários concertos da Feira de Santa Iria. A oposição critica a decisão no ano em que se assinalam os 400 anos da feira, enquanto o executivo municipal defende que a cobrança permitirá reduzir os encargos suportados pelo Município.
A introdução de bilhetes pagos nos espetáculos da Feira de Santa Iria 2026 provocou um dos debates mais acesos da reunião da Câmara Municipal de Tomar, realizada esta segunda-feira na freguesia de Olalhas. Até agora, os concertos integrados naquela que é uma das mais antigas e populares feiras do concelho eram de acesso gratuito. Este ano, o Município decidiu cobrar entrada em vários dias do programa.
De acordo com a proposta apresentada pelo vereador Samuel Fontes, o passe geral terá o preço de 25 euros. O bilhete para o espetáculo de 16 de outubro custará 10 euros, enquanto as entradas para os dias 17, 21, 22, 23 e 24 de outubro terão o valor de sete euros.
Na compra pela Internet será ainda acrescentada uma comissão de seis por cento, com IVA incluído, suportada pelo consumidor.
Várzea Grande será vedada
Outra novidade é a intenção de vedar a Várzea Grande durante a realização dos concertos. O recinto terá cerca de seis mil metros quadrados e poderá receber mais de dez mil pessoas, embora a lotação definitiva ainda esteja a ser avaliada em articulação com a Proteção Civil. O acesso à feira continuará a ser gratuito durante o dia. Segundo o executivo, a partir das 19h00 será fechado o espaço onde decorrerão os espetáculos, começando a entrada do público pelas 20h00.
Esta alteração levantou dúvidas sobre o acesso às tasquinhas e aos bares explorados pelas associações. O executivo garantiu, contudo, que as coletividades já foram informadas e aceitaram o novo modelo.
“Uma feira franca e popular passa a ser paga”
O vereador Hugo Cristóvão (PS) contestou duramente a decisão, considerando particularmente simbólico que a cobrança de bilhetes seja introduzida no ano em que se assinalam os 400 anos da Feira de Santa Iria. “Que melhor maneira de celebrar uma feira secular, franca e popular — e franca quer dizer gratuita, como sempre foi — do que torná-la paga?”, ironizou.
O vereador alertou ainda que as receitas dos bilhetes não serão suficientes para suportar todos os custos, pelo que os espetáculos continuarão a ser financiados pelo orçamento municipal. “Vamos todos pagar a Feira de Santa Iria, mas, em vez de ser de livre acesso, vamos estar a financiar aqueles que forem”, afirmou, defendendo que uma feira popular deve continuar a ser um espaço de encontro acessível a todas as famílias.
Hugo Cristóvão questionou também os custos adicionais com a vedação, segurança, controlo de entradas e horas extraordinárias, considerando estranho que estas questões ainda estejam a ser definidas a menos de um mês do evento.
Executivo defende bilhetes “razoavelmente baratos”
A presidente da Câmara em exercício, Célia Bonet, rejeitou as críticas e sublinhou que o acesso à feira, aos carrosséis e a parte da programação continuará a ser gratuito. “A feira não se paga. Quem quiser passear e andar nos carrosséis não paga absolutamente nada, como sempre aconteceu”, afirmou.
Célia Bonet argumentou que os artistas recebem sempre os respetivos cachês e que, quando não existe bilheteira, os custos recaem integralmente sobre os contribuintes, incluindo aqueles que não assistem aos espetáculos. “Se há dinheiro para pagar tudo, haverá menos para uma escola, para uma estrada ou para outra obra”, sustentou, considerando que os valores de sete ou dez euros são acessíveis quando comparados com os preços praticados noutros recintos.
O executivo afirma que a Feira de Santa Iria não pretende dar lucro, mas considera que a cobrança em alguns concertos ajudará a minimizar o impacto financeiro do evento. Para a oposição, porém, a medida altera profundamente o caráter popular de uma feira com quatro séculos de história.
Entretanto já é conhecido o programa e cartaz dos espetáculos da Feira de Santa Iria 2026 que se realizará em Tomar, dentro de um mês aproximadamente.






