Empresa de cutelaria compra antiga Tupperware de Montalvo por quatro milhões de euros. A venda do complexo industrial permite recuperar parte dos créditos dos antigos trabalhadores. Câmara de Constância espera que o novo proprietário retome a atividade e crie emprego.
A antiga fábrica da Tupperware, em Montalvo, no concelho de Constância, foi vendida por quatro milhões de euros a uma empresa do setor da cutelaria com atividade industrial no distrito de Leiria. A identidade do comprador e os projetos para as instalações não foram divulgados.
O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, à margem da reunião do executivo municipal. Em declarações à Lusa, o autarca manifestou satisfação pela concretização da venda e a esperança de que o complexo volte a gerar postos de trabalho.
O negócio foi fechado por um valor bastante inferior aos dez milhões de euros definidos como preço-base do leilão realizado em 14 de outubro. Na altura, a melhor proposta pela totalidade da unidade industrial foi de 3,8 milhões de euros, tendo sido recusada pela comissão de credores.
Uma negociação posterior permitiu aumentar a oferta em 200 mil euros, fixando o montante final nos quatro milhões, com o acordo dos trabalhadores.
Apesar de considerar positiva a venda, Sérgio Oliveira lamentou que o valor tenha ficado abaixo das expectativas. Segundo a estimativa do autarca, os antigos funcionários poderão recuperar, em média, entre 40% e 45% dos créditos a que têm direito.
“É um ciclo, em primeiro lugar, doloroso para os trabalhadores que foram despedidos”, afirmou, recordando que muitos tinham duas ou três décadas de serviço na fábrica.
Contactado pela Lusa, o administrador de insolvência, Jorge Calvete, confirmou o negócio e apresentou uma estimativa de recuperação de cerca de 50% dos créditos laborais.
Trabalhadores aceitaram proposta para evitar maior desvalorização
Rui Caseiro, antigo funcionário que acompanhou o processo de insolvência e esteve presente no leilão, explicou à Lusa que os trabalhadores foram consultados antes da aceitação da proposta. Na sequência dessa auscultação, foi pedido ao interessado que aumentasse a oferta inicial até aos quatro milhões de euros, o que acabou por acontecer.
O antigo trabalhador, que esteve 30 anos na Tupperware, justificou a decisão com o receio de que o prolongamento do processo conduzisse a uma maior desvalorização dos ativos e comprometesse a recuperação dos créditos.
“Mais vale recebermos este valor e termos alguma coisa do que estarmos à espera mais tempo e não recebermos nada”, afirmou.
Segundo Rui Caseiro, cerca de 192 antigos funcionários têm valores por receber. O ex-trabalhador manifestou também a esperança de que o comprador retome a atividade industrial e aproveite a mão de obra especializada existente na região.
Fernando Guedes, vereador do Chega e antigo trabalhador da fábrica durante 30 anos, considerou insuficiente o montante da venda, embora tenha manifestado satisfação pela possibilidade de os funcionários recuperarem parte dos créditos. Já o vereador da CDU, João Céu, lamentou que os trabalhadores não recebam a totalidade dos valores reclamados e alertou que o pagamento poderá ainda demorar.
Município quer conhecer planos do comprador
A Câmara de Constância pretende contactar o novo proprietário nas próximas semanas, caso a empresa não tome entretanto a iniciativa, para conhecer o destino previsto para o complexo industrial.
“Para nós é importante perceber qual é a ideia, o que ali querem fazer, a perspetiva que têm para aquele espaço”, declarou Sérgio Oliveira à Lusa.
A fábrica de Montalvo chegou a empregar cerca de 260 pessoas e cessou a produção em janeiro de 2025. A Tupperware – Indústria Lusitana de Artigos Domésticos foi declarada insolvente no mês seguinte, após a retirada das licenças de produção e comercialização da marca em Portugal.
O complexo agora vendido integra três edifícios, terrenos e equipamentos de transformação de plásticos.
Fonte: Agência Lusa



