A 15 de janeiro de 1900, ou seja, há 126 anos, foi inaugurada a fábrica de papel da Matrena, na freguesia de Asseiceira, Tomar.
Laborou durante quase um século, mas na década de 90 entrou em processo de insolvência acabando por ser declarada insolvente em outubro de 1999 quando tinha cerca de 160 trabalhadores.
Nos seus tempos áureos, chegou a ter perto de mil trabalhadores
Os antigos e degradados edifícios da Matrena já mudaram de proprietário várias vezes. Há cerca de dois anos, os atuais proprietários pintaram o gradeamento do passadiço aéreo que liga os dois principais edifícios sobre o rio Nabão, mas não avançaram, até à data, com quaisquer obras ou projetos para a antiga fábrica.
Jorge Franco, natural da Linhaceira, postou na sua página do Facebook, um texto e uma aguarela da sua autoria, onde dá o seu testemunho sobre tão importante fábrica do concelho de Tomar, durante quase todo o século XX. Republicamos aqui, com a devida vénia.
“FÁBRICA MATRENA-Memórias
Trabalhei na Fábrica de Matrena onde iniciei a minha actividade profissional com carteira profissional de Técnico Papeleiro. Já lá vão muitos anos. Falar sobre a Matrena é relembrar uma das empresas que mais fez crescer em habitantes e melhores condições de vida os habitantes desta nossa zona de residência.
Para isso começou por contribuir o seu proprietário da Ortiga – João de Oliveira Casquilho, quando adquiriu os moinhos e anexos da Quinta da Matrena em 11-08-1890. Pretendia ali montar uma Fábrica de fiacção, tecidos, mas optou posteriormente por uma Fábrica de Papel. Até 1900 data da sua inauguração ali trabalharam 300 pessoas, para a sua construção.
A aguarela mostra a Fábrica no ano de 1905. Em 1936 faleceu João de Oliveira Casquilho, tendo assumido a sua direcção o neto Joaquim Rasteiro. Em 1910 é escolhida para produzir papel para o Estado. Foi remodelada em 1950 e 1960. Tinha nesta data perto de 700 trabalhadores. Nos anos 1940 possuía já uma Caixa de Previdência para os seus trabalhadores, nunca tendo rejeitado a parte social, cultural e desportiva, como forma de compensar os que ali trabalhavam.
Em 1999 infelizmente fecha tendo na data perto de 160 trabalhadores. Hoje em ruínas entristece-me. Qual foi a geração dos hoje vivos, que não tenham tido ali antepassados a trabalhar. Muito haveria para dizer, mas ficará para outra oportunidade. Viva a Matrena e quem a fez”. Jorge Franco
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