Encerramos as centrais térmicas, cumprimos os objectivos a que nos comprometemos, mandamos umas centenas para o desemprego, e compramos energia eléctrica aos franceses, que a produzem nas suas centrais nucleares que nós, para sermos exemplares, sempre rejeitámos.
Promovemos a utilização do automóvel eléctrico, sendo que, creio, nem sabemos bem se temos electricidade suficiente para os alimentarmos, nem, tampouco, até onde os preços escalarão.
Temos lítio, mas promovemos campanhas e manifestações contra a sua exploração, para que, aquém e além fronteiras, empresas estrangeiras aufiram os lucros por ele gerados.
Promovemos a transição para o automóvel elétrico, esquecendo que o sector automóvel, que representa 6% do nosso PIB e mais de setenta mil postos de trabalho, não está a fazer essa transição, podendo resultar numa autêntica hecatombe na nossa economia.
Eu, apologista da transição, por imperativo ético e pragmático que considero ser, e acérrimo defensor do aumento do desemprego estrutural, porque se desenvolvemos máquinas e tecnologia é para que elas façam o trabalho por nós, fico verdadeiramente expectante e legitimamente preocupado, por não ouvir, nem ver, planos B para a nossa economia e, por óbvia conexão, para as nossas vidas.
Que os meus receios sejam infundados!
Paulo Rodrigues
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