Convento de Cristo: Processo inovador vai limpar Janela do Capítulo

Obras de conservação, restauro e recuperação vão custar mais de 4 milhões de euros.

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A Direção Geral do Património Cultural deu a conhecer, na manhã desta segunda-feira, a intervenção de “Conservação, Restauro e Recuperação de fachadas e coberturas da igreja” do Convento de Cristo, que engloba a Charola Templária (séc. XII) e a Nave Manuelina (séc. XVI) e onde se inclui a “janela do capítulo” porventura a janela mais famosa (e charmosa!) da europa e do mundo.

A cerimónia contou com a presença da Secretária de Estado da Cultura, Diretor Geral do Património Cultural, Presidente da Câmara de Tomar e Diretora do Convento de Cristo para além de vários técnicos das empresas que vão acompanhar e executar a obra.

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Secretária de Estado da Cultura e Diretor-Geral do Património Cultural. Foto: Arlindo Homem

Para o Diretor- geral do Património Cultural, “Esta intervenção de restauro e recuperação no Convento de Cristo que é única e emblemática. Incide sobre o corpo mais icónico deste Monumento, uma composição sui generis, onde um edifício do século XII é “ampliado” no século XVI, primeiramente pela mão de Diogo de Arruda, para depois receber aportes artísticos de João de Castilho que soube continuar com mestria e aparato o exótico, inédito e original léxico escultórico do seu antecessor, deixando-nos um conjunto com o simbolismo e imagética únicos que, ainda hoje, continuam a impressionar o observador.

 

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Secretária de Estado da Cultura, Presidente da Câmara de Tomar e Diretor-Geral do Património Cultural. Foto: Arlindo Homem

À semelhança das intervenções anteriores, o objetivo é não só a conservação e restauro de elementos pétreos, repondo índices de competência estética dos diversos elementos construtivos em causa, como corrigir situações anómalas que
têm provocado perdas de leitura e danos materiais em áreas adjacentes.
Atualmente, a leitura dos elementos escultóricos, nomeadamente da famosa Janela do Capítulo torna-se quase impercetível devido à espessa colonização biológica que os cobre.

O objetivo geral da intervenção é conseguir o equilíbrio físico-químico dos materiais, bem como um acabamento equilibrado e harmonioso, que não altere nem perturbe a leitura histórica e estética do conjunto obedecendo ao princípio
da intervenção mínima”.

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Foto: Arlindo Homem

A empreitada contempla ainda a recuperação da cobertura, de caixilhos de portas e janelas e o restauro dos vitrais da Charola e da Nave Manuelina.
Os trabalhos serão realizados pela firma STB – Reabilitação do Património Edificado, Lda. que venceu o concurso limitado por prévia qualificação e fiscalizados pela firma 44 Engenharia.

A obra será acompanhada e aferida pelos técnicos da DGPC afetos a esta intervenção e do consultor científico Delgado Rodrigues que tem uma vasta experiência nesta matéria. Este acompanhamento garantirá a qualidade pretendida na execução dos trabalhos em todas as suas vertentes.

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Equipa técnica  DGPC/DEPOF e da empresa 44 Engenharia. Foto: Arlindo Homem

O valor total do investimento, na ordem de um milhão de euros (IVA incluído), é suportado por uma candidatura aos fundos comunitários do Centro 2020, sendo 85% de verbas comunitárias e 15% de verbas nacionais. A obra foi consignada em 6 de junho de 2022 e o prazo de execução da empreitada é de 365 dias.

Investimentos e projetos previstos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência
para o Convento de Cristo
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Foto: Arlindo Homem

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) prevê um investimento no Património Cultural no montante global de mais de 150 milhões de euros.

Do montante global de €150.490.000,00 (cento e cinquenta milhões quatrocentos e noventa mil euros), foi atribuído à Direção Geral do Património Cultural um valor de €89.771.250,00 (oitenta e nove milhões setecentos e setenta e um mil
duzentos e cinquenta euros) destinados à requalificação e conservação de 28 equipamentos que incluem os Museus,

Monumentos Palácios (MMP) e Laboratórios de que lhe estão afetos.
A taxa de financiamento do investimento é de 100% do valor global elegível e o apoio a conceder reveste a forma de incentivo não reembolsável.

O Convento de Cristo, neste contexto, beneficiará de um investimento total de €4.445.000,00, que terá de ser executado até ao final de 2025.

O Diretor- Geral do Património deu a conhecer de forma pormenorizada as obras contempladas nas intervenções:  “reabilitação do Paço Henriquino e Alcáçova / Castelo e requalificação do Jardim com um investimento em obra de €2.250.000,00; – de conservação e restauro dos Claustros com um investimento em obra de €1.250.000,00; – e de conservação e restauro da Torre da Condessa e do corpo das Necessárias com um investimento em obra de €150.000,00.

Estas intervenções do PRR são fundamentais e estruturantes para o Convento de Cristo. Não podendo referir-me com pormenor a todas as intervenções permitam-me que destaque a intervenção de reabilitação do Paço Henriquino e Alcáçova / Castelo e requalificação do Jardim (convido desde já todos os presentes a visitar este espaço após a visita à obra).

O Convento de Cristo possui, na sua essência, duas identidades de raiz dominante que se foram plasmando ao longo do tempo e na construção do espaço: o Castelo Fortaleza, da época Templária e o Complexo Monástico da época da Ordem de Cristo.

A identidade templária tem sido praticamente ignorada tanto que a extraordinária Alcáçova e Paço Henriquino do maior e mais belo castelo de Portugal estão encerrados ao público.

Queremos, definitivamente, abrir ao público um espaço que é profundamente identitário deste complexo monumental!
Esta será a âncora da intervenção do PRR e permitirá uma nova acessibilidade universal ao convento e ao castelo templário através do Paço Henriquino, que terá a função de acolhimento e receção dos visitantes e funcionará como uma rótula de distribuição para dois circuitos de visita independentes (convento ou castelo templário), que podem ser feitos separadamente ou em conjunto”.

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Foto: Arlindo Homem

Recorde-se que a DGPC, desde a sua criação em 2012 investiu no Convento de Cristo cerca de 2 milhões de euros em diversas intervenções de conservação e restauro e outras intervenções estruturantes para a melhoria das condições de acolhimento e visita deste Monumento de que destacaria, o restauro do tambor central da Charola, um investimento suportado integralmente pela CIMPOR (mecenas desta importante intervenção), a beneficiação de coberturas de vários espaços (sala do noviciado, Capela dos Reis Magos, etc.), a recuperação de fachadas (fachada norte), a requalificação da Portaria Filipina, entre outros.

Fonte: Discurso do Diretor-Geral do património Cultural

Processo inovador vai limpar Janela do Capítulo

A Janela do Capítulo vai ser totalmente coberta, de forma que todos os micro-organismo e líquens que a degradam e ocultam a «leitura» dos seus elementos escultóricos morram por falta de luz e humidade. Trata-se de um processo inovador que evita a utilização de produtos agressivos na sua limpeza. Um processo mais demorado, mas inofensivo para a pedra deste ícone do património mundial. Enquanto decorrer este processo, será exposta uma lona com a imagem da janela.

 

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