Tomar recupera parte dos seus «pulmões»: Mata dos Sete Montes reabre a 26 de outubro. A tempestade Kristin terá afetado perto de mil árvores. Após meses de trabalhos e a desobstrução de seis quilómetros de percursos, a Mata Nacional dos Sete Montes volta a receber visitantes, mas mantém zonas interditas por razões de segurança.
A Mata Nacional dos Sete Montes, em Tomar, reabre parcialmente ao público no próximo dia 26 de outubro, depois das intervenções para reparar os estragos provocados pela tempestade Kristin. O regresso dos visitantes a um dos espaços naturais mais emblemáticos da cidade será assinalado com a presença do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, numa iniciativa para a qual a comunidade está convidada.
A reabertura representa um passo na recuperação da Mata, mas está longe de significar o fim dos trabalhos. O acesso será permitido apenas às áreas já intervencionadas e consideradas seguras, mantendo-se encerradas as zonas onde decorrem operações florestais ou subsiste o risco de queda de árvores.
O levantamento realizado após a tempestade identificou 812 árvores desenraizadas, com o tronco partido ou em risco de queda. Porém, o balanço não abrangia as manchas florestais então inacessíveis, pelo que se estima que o número total de exemplares afetados se aproxime dos mil. Aos danos no arvoredo somaram-se estragos nos caminhos e nos muros divisionais e de sustentação.
As operações arrancaram a 27 de fevereiro, com o abate preventivo das árvores que apresentavam risco de queda. Seguiram-se o inventário e a georreferenciação do arvoredo afetado, a identificação das infraestruturas danificadas e a limpeza da entrada da Mata e da zona da Charolinha.
Os trabalhos permitiram desobstruir cerca de seis quilómetros de percursos. Incluíram também o corte, a movimentação e a concentração de madeira para posterior transporte, bem como a gestão dos sobrantes da exploração. Só em maio estavam inventariadas cerca de 220 toneladas de material lenhoso para retirar, mantendo-se parte destas operações em curso.
A intervenção foi desenvolvida por técnicos da Câmara Municipal de Tomar e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no âmbito do protocolo de colaboração entre as duas entidades.
Foi igualmente alargado o acesso noroeste, junto ao antigo lagar de azeite, para permitir a entrada de maquinaria florestal pesada e de veículos com reboque. Além de apoiar os trabalhos de recuperação, esta alteração deverá melhorar o acesso e a circulação dos meios de combate a incêndios.
Recuperação da Mata terá plano de restauro
O ICNF está a preparar um plano de restauro, em articulação com o Município, o Convento de Cristo e associações locais de defesa do património natural. O documento estabelecerá as medidas de recuperação das áreas afetadas e as diferentes fases da intervenção.
A abertura das restantes zonas será gradual e dependerá da remoção da madeira, da reparação das infraestruturas e da confirmação das condições de segurança. A informação divulgada não aponta uma data para a reabertura integral.
As áreas interditas estarão delimitadas e sinalizadas. A Câmara apela aos visitantes para que utilizem exclusivamente os percursos abertos, respeitem as vedações e não se aproximem de árvores com danos visíveis, toiças ou pilhas de madeira.
Mesmo nos espaços agora devolvidos ao público, o acesso poderá voltar a ser condicionado perante avisos de vento forte, precipitação intensa ou sempre que a avaliação de risco o justifique.



