Mike Braun Jr.: tem 15 anos, estuda em Tomar e sonha representar Portugal nas pistas. Aluno da Escola Jácome Ratton, Mike Braun Jr. já compete no nacional de ralicross e conquistou um pódio nos Iniciados na última jornada, em Lousada. Filho de pai austríaco e mãe colombiana, nasceu em Portugal e quer fazer do automobilismo profissão. Sereno na conversa e determinado nos objetivos, conta com o apoio do pai, com quem partilha a paixão pelo desporto automóvel.
Fala com calma, escuta as perguntas e responde sem pressas. Aos 15 anos, Mike Braun Jr. apre- senta-se como um jovem muito focado no que pretende para a sua vida: continuar a evoluir no ralicross, chegar a piloto profissional e representar Portugal.
“Eu espero no futuro poder representar Portugal”, afirma em entrevista a O Templário.
Filho de pai austríaco e mãe colombiana, nasceu em Portugal e vive no concelho de Tomar.
As origens familiares ligam-no a diferentes países, mas o sentimento de pertença é claro. Quando lhe perguntamos se se sente português, responde prontamente: “Sim, muito.”
É aqui que estuda, na Escola Jácome Ratton, que tem os amigos e que procura construir o seu percurso no desporto automóvel, conciliando aulas, estudo, treinos e competições.
Um pódio no campeonato nacional
Mike já participa no Campeonato de Portugal de Ralicross, na categoria de Iniciados. Na derradeira jornada da temporada de 2026, disputada em Lousada, terminou a final na terceira posição, ao volante de um Peugeot 106.
O resultado consta do comunicado do Clube Automóvel de Lousada, publicado a 5 de outubro: Mike Braun ficou atrás de Tomás Almeida e Elísio Lopes, terminando a 7,671 segundos do vencedor. Um lugar no pódio nu- ma prova que encerrou as contas do campeonato nacional.
O jovem reconhece, porém, que aprender exige tempo. As maiores dificuldades surgiram no início, quando a falta de experiência se traduzia em erros. Com os treinos, as corridas e a ajuda de quem o acompanha, foi ganhando confiança e conhecimento do carro.
O objetivo é continuar esse caminho até conseguir uma oportunidade profissional. “Espero ganhar um contrato com alguma grande marca no futuro”, diz.
Treinar exige uma deslocação a Mação
Para treinar em pista, Mike tem de se deslocar ao concelho de Mação, onde existe um circuito para a prática da modalidade. Uma sessão de preparação exige, por isso, organização e uma logística que começa muito antes de entrar no carro.
A viatura de competição segue no reboque da equipa responsável pela preparação e assistência. É necessário assegurar o transporte, o apoio mecânico e as peças suplentes, tanto nos treinos como nas provas.
Por detrás de cada partida há um trabalho que o público nem sempre vê e que implica disponibilidade, meios e investimento. Mike reconhece esse esforço e agradece à equipa que o ajuda a evoluir.
Gostava de ter mais oportunidades para treinar, mas considera positivo o ritmo atual. Em casa, complementa a preparação com o simulador, procurando aproveitar também esse recurso para aprender.
“Em casa treino também muito no simulador”, conta.
Pai e filho unidos pela mesma paixão
O pai, também praticante de desporto automóvel, é uma presença fundamental neste percurso. Partilham o entusiasmo pelas corridas, mas também o tempo e a dedicação necessários para que Mike possa competir.
É um apoio nas deslocações, na organização da rotina e na concretização de um projeto que exige um investimento significativo.
“Eu agradeço muito”, afirma o jovem, reconhecendo a dedicação do pai.
Mike sabe que os troféus não pagam as despesas. Questiona- do sobre os prémios que recebe, explica que, na sua experiência, as classificações são recompensadas com troféus, sem prémios monetários.
Ainda assim, a vontade de continuar mantém-se. “O gosto pelo desporto nunca acaba.” A serenidade com que fala acompanha-o nos momentos anteriores à corrida. Dentro do carro, explica, sente-se relaxado antes da partida. Quando a competição começa, concentra-se em melhorar os tempos e ultrapassar os adversários, procurando evitar acidentes.
Entre o automobilismo, o esqui e a escola
A paixão pela velocidade não se limita às pistas. Mike também pratica esqui e conta ter conquistado um título nacional no seu escalão. A ligação familiar à Áustria permite-lhe praticar a modalidade naquele país. Refere igualmente deslocações a Espanha para treinar, incluindo à Serra Nevada. Mais do que o risco, é a concentração que o atrai nestes desportos: a possibilidade de se abstrair das preocupações e dedicar toda a atenção ao desafio que tem pela frente.
Com uma rotina tão preenchida, a escola continua a ser uma prioridade. Mike garante que estuda para conseguir boas notas e que tem conseguido conciliar as diferentes atividades.
“É uma vida muito ocupada”, admite. Mas acrescenta: “Eu consigo.”
Aos 15 anos, ainda tem muito caminho pela frente. Para já, entre as aulas na Jácome Ratton, os treinos em Mação e as provas nacionais, vai trabalhando para transformar uma paixão numa profissão. Com calma na forma de falar e determinação no que pretende alcançar, aponta ao futuro com um desejo: levar Portugal às pistas internacionais.
Artigo publicado no jornal O Templário, na versão impressa, edição de 5/11/2026
Texto: Isabel Miliciano
Fotos: João Flores
Artigo publicado no jornal O Templário quando alcançou o pódio em Lousada