Exemplo da Renova

Por: Sérgio Martins

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O Jornal O Templário publicou, em 20/04/2023, na sua página 4, uma informação intitulada “T. Novas: Renova entra em uma das maiores redes de distribuição da Letónia e Estónia”, desenvolvendo no texto que a “fabricante portuguesa de tissue entrou na Rimi, uma das principais cadeias de supermercados do Báltico, com o objetivo de crescer nos países da região”, porque os “mercados do Báltico têm tido uma importância crescente na atividade da Renova, na última década e meia”. Na “Lituânia, a empresa já está presente desde 2017, por meio da rede “iki”. Líder de mercado na Lituânia, no segmento de rolos de cozinha, a Renova pretende chegar ao final de 2023 também com a liderança do segmento de papel higiénico”.

Realçando-se: “Com sede (eu: centro de decisão) em Torres Novas, a Renova exporta mais de 60% da sua produção e tem Espanha, França e Bélgica como principais mercados”, e “objetiva reforçar a sua presença em países como a Alemanha e o Reino Unido, mercados com grande potencial onde a marca está focada no seu desenvolvimento e na conquista de distribuição”.

A Renova, segundo o artigo n’ O Templário, tem ainda “nos atuais planos de internacionalização” como objetivo “os mercados asiáticos, com foco na China e Coreia do Sul”, e a “região da América do Norte”, onde iniciou a atividade comercial no Canadá, reforçada recentemente com a criação, em 2022, da filial Renova América com sede na Cidade do México, hub de suporte à expansão da marca no continente americano”.

Falemos agora de um pouco de História. Em 1992, os grandes empresários tomarenses, preocupados com a situação das suas empresas e da falta de consciência dos tomarenses quanto aos problemas económicos no concelho, solicitaram-me que conseguisse o apoio do Diário Económico na realização de uma conferência sobre “A situação das Empresas no concelho de Tomar”. A conferência realizou-se, em 05/06/1992, no salão da Misericórdia de Tomar, com o apoio da ACITOFEBA, do grupo Cidade de Tomar e da Misericórdia. A parte da manhã da conferência foi dedicada ao setor papeleiro em Tomar, módulo por mim moderado a convite do Diário Económico.

Eu, que já acompanhava a vida da Renova, interroguei-me: porque é que as papeleiras em Tomar estavam com dificuldades e a Renova mantinha um desenvolvimento sustentável? Para esclarecer esta questão propus que se convidasse a administração da fábrica de Torres Novas a estar presente no painel de oradores, como aconteceu através do seu Presidente Executivo na altura.

Ficou-se a saber que os produtos da Renova eram diferentes dos das papeleiras de Tomar. De forma simples: os das papeleiras tomarenses eram mais tradicionais e mais pesados; os da Renova eram mais leves, assentes no “tissue” (lenços, guardanapos, papel higiénico, e outros), um produto com exigência de fabrico próximo dos locais de consumo, devido ao volume transportado, ao peso, às ameaças  climatéricas e aos custos de transporte (se estiver em falta ou em erro agradeço que corrijam).

Na conferência, teve grande impacto as preocupações ambientais demonstradas pela Renova. Enquanto na conferência se debateram problemas sérios paras as empresas, o concelho nabantino, a região e a economia nacional, na sociedade tomarense correu que a “conferência era para dizer mal das empresas em Tomar”. Ver os empresários tomarenses a organizarem e a financiarem uma conferência para se dizer mal das suas empresas é uma originalidade tomarense.

Naquela conferência, em Tomar, em 1992, há trinta e um anos, o Presidente Executivo da Renova informou da estratégia de Internacionalização da sua empresa, já visando, pelo menos e que me lembre, a Espanha, a França, e os Estados Unidos. Ficamos agora a saber que, nos anos posteriores à conferência em Tomar, a Renova internacionalizou-se por todo o mundo, e, “há cerca de 16 anos” a marca tem vindo a conquistar posições na Europa do Norte e na América Central, no México, para, a partir daqui, “conquistar” posições na América do Norte e na do Sul. Além de já estar na China e no resto da Ásia.

O meu convite à Renova para estar presente na Conferência em Tomar, em 1992, assentou numa visão de grande alcance. A Renova foi e é um caso de estudo, quanto à sua visão, à sua missão económica e social, à sua cultura empresarial, e ao seu valor e dignificação da terra que a acolheu e de Portugal.
Em Tomar, as papeleiras fecharam, bem como outras empresas, e a falta de visão é assustadora.

Sérgio Martins

Artigo publicado na edição de 4/05/2023 do Jornal O Templário

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