Assisti com perplexidade e, não nego, revolta, à candura do senhor Presidente da Câmara de Tomar afirmar que “desde o início” e com a cumplicidade da TomarIniciativas “o principal objectivo dos concertos solidários centrou-se em dotar as Juntas de Freguesia com mais e melhores condições”. Que passa por geradores e telefones satélite!
Qualquer coisa me escapa.
Tenho à minha frente o cartaz de divulgação dos referidos concertos que tiveram lugar a 27 e 28 de Fevereiro. Relembro o sugestivo título “evento solidário RECUPERAR TOMAR – um caminho feito em conjunto”.
Recuperar Tomar.
Segundo a Tomar TV “a iniciativa pretende apoiar a população e contribuir para a recuperação do concelho na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin” e que “a receita reverte a favor da comunidade, com o objectivo de apoiar a recuperação do concelho”. Segundo o jornal Mirante “as receitas revertem integralmente para ajudar a custear a recuperação dos estragos provocados pela depressão Kristin no concelho de Tomar”. Segundo o mesmo, “perante o impacto da intempérie, a organização decidiu avançar com um evento solidário destinado a apoiar as intervenções necessárias e a recuperação das áreas afectadas”. Segundo comunicado da TomarIniciativas “o objectivo passa por colmatar o contexto de resposta às ocorrências e aos prejuízos registados”. Lendo O Templário “para apoiar as vítimas da depressão Kristin, de Tomar”, onde “todas as verbas de entradas serão destinadas às intervenções referidas”.
Estarei equivocado ou, simplesmente, fui aldrabado?
Fui aos concertos com um objectivo amplamente anunciado e com o qual me associei.
Ao ser brindado com a expressão do senhor Presidente da Câmara de Tomar sinto-me gozado e seguramente enganado.
Então o principal objectivo era dar geradores e telefones satélite às Juntas de Freguesia?
Aonde é que essa rubrica se enquadra no “RECUPERAR TOMAR” e “destinada à recuperação de danos provocados pela tempestade Kristin?
Alguma Junta ficou com geradores danificados que urgia recuperar?
Todas as verbas angariadas era para ajudar a superar os estragos… ou talvez não.
Das duas, uma. Ou não percebo rigorosamente nada de português (talvez derivado do acordo ortográfico, do qual discordo) ou alguém não falou verdade ou, no mínimo, omitiu a sua verdade vendendo uma mensagem solidária onde, afinal, nada disso havia.
Não fui a concertos para financiar a compra de geradores quando ainda existem muitos tomarenses com graves problemas nos seus telhados, chaminés, sem comunicações e árvores de grande porte tombadas nos terrenos.
Tenho as mais sérias dúvidas que os inúmeros artistas tivessem colaborado se, antecipadamente, soubessem que o fim era o que agora se proclama e não ajudar quem precisava, e ainda precisa, de ajuda para devolver condições de habitabilidade a quem se viu, em poucos minutos, com a vida de pernas para o ar.
Sinto-me enganado e, como diz o povo, não me apanham noutra. Sou solidário mas opositor destas habilidades, para não me alongar.
Expresso o meu protesto.
Autor: BN





