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Quercus exige IMI das barragens e acusa Estado de favorecer empresas privadas

Quercus exige IMI das barragens e acusa Estado de favorecer empresas privadas. A associação ambientalista denuncia tratamento fiscal desigual entre empresas públicas e privadas e pede investigação do Ministério Público. Municípios onde estão instaladas as barragens poderão estar a perder receitas importantes.

A Quercus voltou a colocar no centro do debate a tributação das barragens e exige ao Estado a cobrança integral dos impostos devidos pelas barragens vendidas, incluindo o IMI, IMT, Imposto do Selo e IRC.

A associação ambientalista considera “inadmissível” que o Estado permita que operações de grande dimensão no setor do ambiente fiquem sem a cobrança de impostos que entende serem devidos, enquanto mantém uma atuação rigorosa junto de cidadãos e empresas públicas proprietárias de barragens.

A denúncia vai mais longe: a Quercus acusa a Autoridade Tributária e a Direção-Geral das Finanças de adotarem critérios diferentes perante empresas públicas e privadas, alegando que existem casos em que o IMI foi cobrado coercivamente a empresas públicas, enquanto as concessionárias privadas beneficiariam de uma postura de maior tolerância.

Para a organização ambientalista, esta situação poderá configurar uma violação do princípio da igualdade tributária e justifica uma investigação urgente por parte do Ministério Público.

Quercus fala em “discriminação fiscal”

A presidente da Quercus, Alexandra Azevedo, considera particularmente grave que o Estado possa estar a abdicar de receitas provenientes de grandes operações financeiras relacionadas com barragens.

“É inaceitável que o Estado prescinda de centenas de milhões de euros em impostos devidos por grandes operações financeiras, enquanto os municípios do interior, onde as barragens estão localizadas, continuam carenciados de recursos.”

A responsável considera ainda “escandaloso” que possa existir uma diferença de tratamento entre empresas públicas e privadas na cobrança do IMI.

A Quercus entende que os municípios onde estão localizadas as barragens devem ser particularmente tidos em conta, uma vez que suportam os impactos associados à utilização dos recursos naturais existentes no seu território.

Dinheiro das barragens deve voltar ao território

A associação defende que as receitas fiscais provenientes das barragens devem representar também uma contrapartida para os territórios do interior, através do reforço dos recursos financeiros dos municípios.

Por isso, a Quercus quer que os municípios beneficiários das receitas assumam o compromisso de aplicar parte desse dinheiro na conservação da natureza, das albufeiras e da floresta, áreas diretamente relacionadas com os territórios onde estes empreendimentos estão instalados.

A organização considera que não basta garantir a cobrança dos impostos: é necessário assegurar que uma parte dos recursos gerados pelas barragens se transforma em benefícios concretos para as populações locais e para a proteção ambiental.

Seis exigências ao Estado

Perante aquilo que classifica como uma situação de desigualdade fiscal, a Quercus exige o pagamento imediato do IMI em falta sobre as barragens vendidas, bem como dos restantes impostos identificados pelo Ministério Público.

A associação reclama ainda:

  • Igualdade de tratamento entre empresas públicas e privadas na cobrança de impostos;
  • Transparência da Autoridade Tributária e do Ministério das Finanças sobre os processos de cobrança e eventuais recursos apresentados pelas empresas;
  • Investigação do Ministério Público à atuação da Direção-Geral das Finanças e da Autoridade Tributária;
  • Reforço da fiscalização sobre operações societárias no setor ambiental suscetíveis de configurar planeamento fiscal agressivo;
  • Garantia de que os municípios recebem as receitas fiscais que lhes são devidas;
  • Aplicação dessas receitas na proteção das albufeiras, floresta e natureza.

A Quercus promete continuar a acompanhar o processo e a exigir que as autoridades assegurem o cumprimento da lei fiscal.

Para a associação, a questão ultrapassa a simples cobrança de um imposto: está em causa a igualdade entre contribuintes, o interesse público e a capacidade financeira dos municípios do interior, que acolhem no seu território alguns dos maiores aproveitamentos hidroelétricos do país.

A organização ambientalista defende que todos os projetos associados à utilização dos recursos naturais devem contribuir financeiramente para os territórios onde estão instalados, através do pagamento dos impostos devidos e do reforço das condições para a conservação ambiental e o desenvolvimento local.

Nota: As acusações e alegações relativas à atuação da Autoridade Tributária, das empresas privadas e às eventuais responsabilidades do Estado são posições expressas pela Quercus e deverão ser entendidas como tal, até que sejam confirmadas pelas entidades competentes.

 

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