Professor, autarca e dirigente cooperativo, Arnaldo Santos é uma das figuras homenageadas na série “Vidas Exemplares”, dedicada às grandes personalidades do cooperativismo financeiro em Portugal. Natural de Torres Novas, presidiu durante 25 anos à instituição resultante da fusão das Caixas Agrícolas de Torres Novas, Riachos, Tomar e Tramagal.
Arnaldo Santos, o torrejano que dedicou 25 anos à construção da Caixa Agrícola do Ribatejo Norte
Há vidas que se confundem com a história das instituições que ajudaram a construir. A de Arnaldo Santos, natural de Torres Novas, é uma delas. Durante 25 anos esteve à frente de uma Caixa Agrícola que atravessou diferentes épocas, cresceu através de fusões e se tornou uma referência no cooperativismo financeiro do Ribatejo Norte.
A história é agora contada na série “Vidas Exemplares”, assinada por Raquel Gaspar Silva e Luís Osório, com fotografia de Rafael Antunes, dedicada a algumas das figuras que marcaram a história do cooperativismo financeiro em Portugal.
A ligação de Torres Novas a esta história começa muito antes de Arnaldo Santos assumir funções na Caixa Agrícola. Em 1914 era fundada a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Tomar, num período particularmente conturbado da história portuguesa. O movimento acabaria por se estender à região: Riachos criou a sua Caixa em 1920 e Torres Novas em 1928.
A tradição cooperativa torrejana tinha, contudo, raízes ainda mais antigas. A própria legislação que permitiu a transformação gradual das confrarias e irmandades em cooperativas e instituições de crédito agrícola e industrial teve entre os seus protagonistas Andrade Corvo, natural de Torres Novas, autor da chamada “Lei Basilar”.
É neste contexto histórico que surge Arnaldo Santos.
Professor de Educação Física no Ensino Básico, com atividade profissional em Torres Novas e Ourém, e com experiência autárquica, acabou por ser desafiado a assumir a presidência da Caixa Agrícola. Aceitou o desafio e permaneceu no cargo durante um quarto de século.
Em 1995, depois da fusão das Caixas de Torres Novas e Riachos com a Caixa de Tomar, as forças vivas da região convenceram-no a assumir a liderança da instituição que entretanto ganhara uma dimensão muito maior. Mais tarde, a fusão com a Caixa do Tramagal daria origem à Caixa Agrícola do Ribatejo Norte, consolidando uma história iniciada décadas antes.
A sua ação foi marcada pela aposta na solidez, expansão e serviço à comunidade, sempre com uma forte ligação ao espírito mutualista e cooperativo que esteve na origem das Caixas de Crédito Agrícola.
Mas a história de Arnaldo Santos não se resume à banca agrícola.
Filho de um agricultor e de uma mãe que se dedicava à casa e à família, cresceu numa família de nove irmãos. O pai era associado do Crédito Agrícola, uma ligação que acabaria por ganhar novo significado na vida do próprio Arnaldo.
Também viveu de perto um dos momentos mais marcantes da história contemporânea portuguesa. Aluno da antiga Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, testemunhou, na madrugada de 25 de Abril de 1974, a saída da coluna militar comandada por Salgueiro Maia e assistiu aos acontecimentos que haveriam de mudar o país.
A sua vida profissional e cívica prosseguiu depois em democracia, entre o ensino, a atividade autárquica e a liderança da Caixa Agrícola.
Em 2019 decidiu abandonar a presidência da instituição. Fê-lo após divergências com a direção e apresentou a sua renúncia numa assembleia-geral. A decisão, segundo a crónica, foi tomada por convicção e por respeito pelo passado, mas também pela necessidade de olhar para o futuro.
Aos 25 anos de liderança juntava-se então uma nova etapa da vida, mais dedicada à família e, sobretudo, aos netos, com quem gosta de passear pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.
Hoje, os seus dias passam também pelas terras da freguesia da Chancelaria, onde mantém uma vinha e um olival. É ali, durante as longas caminhadas, que revisita o passado e pensa no futuro.
Um futuro que, na história de Arnaldo Santos, parece sempre caminhar de mãos dadas com as suas raízes torrejanas, com a agricultura, com o cooperativismo e com a memória do pai.
A homenagem integra a série “Vidas Exemplares”, uma iniciativa que procura recuperar e dar a conhecer a trajetória de personalidades que contribuíram para a construção do cooperativismo financeiro em Portugal.





