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CP reconhece falta de capacidade nos comboios e pede compreensão aos passageiros

CP reconhece falta de capacidade nos comboios e pede compreensão aos passageiros. Questionado por O Templário sobre a sobrelotação nas ligações de Tomar a Lisboa, Pedro Moreira reconheceu o problema e apontou a renovação da frota como resposta. A CP espera colocar as primeiras novas automotoras em circulação no próximo ano, mas continuará a receber material até 2032.

O presidente do Conselho de Administração da CP, Pedro Moreira, reconheceu em Tomar que a empresa enfrenta um problema de capacidade, quando questionado por O Templário sobre a sobrelotação dos comboios utilizados diariamente por trabalhadores nas deslocações para Lisboa e para a sua periferia.

A questão foi colocada durante a apresentação do Comboio Histórico a Vapor Templário, a 23 de outubro, perante as dificuldades sentidas nas ligações da manhã e da tarde, com muitos passageiros a viajarem de pé e uma situação que se agrava com a entrada de mais utentes no Entroncamento e em Santarém.

«Nós sabemos que há um problema de capacidade», afirmou Pedro Moreira. O responsável enquadrou as dificuldades em décadas de desinvestimento na ferrovia, tanto na infraestrutura como no material circulante, e explicou que a resposta exige intervenções em várias frentes.

Na sua resposta, o presidente da CP não anunciou um reforço específico para as ligações de Tomar a Lisboa nem indicou uma data para resolver a sobrelotação neste percurso. Apontou, contudo, a aquisição de novos comboios como um passo fundamental para aumentar a capacidade da empresa.

Novos comboios chegam de forma faseada até 2032

Segundo Pedro Moreira, a CP está a concretizar a maior aquisição de material circulante da sua história, num investimento superior a 1.200 milhões de euros. O responsável referiu a compra de 175 automotoras: 22 unidades que se encontram em processo de homologação e outras 153 previstas no programa de renovação.

«Esperamos que no próximo ano já tenhamos as primeiras automotoras certificadas a circular», afirmou, acrescentando que a receção de material decorrerá de forma faseada, com entregas anuais até 2032.

O presidente da CP explicou que a compra de comboios exige processos demorados. Mesmo sem contratempos, indicou, podem decorrer cerca de cinco anos entre o lançamento de um concurso e a chegada da primeira unidade. Questões jurídicas e outras dificuldades podem prolongar esse prazo, seguindo-se depois vários anos de entrega das restantes composições.

Para responder às necessidades enquanto aguarda os novos comboios, a empresa recuperou material que estava imobilizado e sem condições de circular.

«Demos-lhe nova vida», explicou Pedro Moreira, destacando o trabalho das equipas de engenharia e manutenção da CP, que permitiu recuperar composições e ganhar tempo até à chegada das novas unidades.

O responsável descreveu uma frota envelhecida, com uma idade média de cerca de 46 anos, e salientou o empenho dos trabalhadores que asseguram a manutenção e o funcionamento desse material.

Passes acessíveis chegaram antes do reforço da oferta

Pedro Moreira defendeu que o desenvolvimento da ferrovia depende de três pilares: infraestrutura, material circulante e políticas de transporte.

Na infraestrutura, referiu os trabalhos de modernização realizados pela Infraestruturas de Portugal, reconhecendo que o país ainda não dispõe das condições desejadas. Quanto à frota, sublinhou que os investimentos estão em curso, mas os novos comboios ainda não se encontram ao serviço.

Já as medidas políticas, nomeadamente a criação de passes a preços mais acessíveis, avançaram mais depressa. O presidente da CP destacou o Passe Ferroviário Verde e o reconhecimento internacional destas iniciativas, admitindo, porém, que a sua implementação ocorreu antes de estarem reunidas as condições ideais de oferta.

«As políticas chegaram, estamos a implementá-las, mas ainda não temos as condições ideais», afirmou.

Perante as dificuldades, pediu compreensão aos passageiros e garantiu que a empresa está a fazer o que está ao seu alcance para melhorar o serviço.

«Estamos a modernizar. Não temos as condições ideais, mas estamos a trabalhar para termos uma ferrovia de excelência no nosso país», concluiu.

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