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De Tomar à Noruega: Nuno Marques defende um Portugal menos centralizado em artigo no Público

De Tomar à Noruega: Nuno Marques defende um Portugal menos centralizado em artigo no Público. Natural de Tomar, onde regressa todos os anos para visitar a família, o vice-presidente do município norueguês de Notodden partilha a sua experiência política e defende maior autonomia e capacidade de decisão para os territórios portugueses.

Vive na Noruega há 22 anos, mas mantém uma ligação próxima à terra natal. Nuno Marques, tomarense e filho do antigo presidente da Câmara de Tomar, Pedro Marques, regressa todos os anos para visitar a família. A partir de Notodden, onde exerce funções de vice-presidente do município desde 2019, acompanha também o debate sobre o futuro de Portugal.

Num artigo de opinião publicado no jornal Público, intitulado «Portugal não cabe em Lisboa: quem governa tem de partilhar o poder», o autarca defende um país menos centralizado, com maior proximidade entre os cidadãos e os responsáveis políticos.

A sua experiência na Noruega serve de ponto de partida para uma reflexão sobre a distribuição do poder em Portugal. Também deputado regional em Telemark, Nuno Marques destaca a eleição direta das assembleias regionais norueguesas e a autonomia financeira dos territórios, acompanhada por mecanismos de redistribuição que procuram compensar diferenças de recursos e necessidades.

Na sua perspetiva, transferir responsabilidades exige garantir os meios necessários para as exercer. Municípios com populações envelhecidas ou povoações dispersas enfrentam custos específicos que devem ser reconhecidos no financiamento público.

O autor considera ainda que o reforço das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional não substitui a criação de regiões administrativas com representantes escolhidos diretamente pelos cidadãos. Entretanto, sustenta que a descentralização pode avançar, desde que acompanhada por recursos e capacidade efetiva de decisão.

A habitação é outro dos temas abordados. Para Nuno Marques, a concentração de emprego e serviços nos principais centros urbanos agrava a pressão sobre o acesso à casa. Uma melhor articulação regional entre habitação, transportes, saúde e educação, juntamente com a criação de emprego noutros territórios, poderá alargar as possibilidades de escolha das famílias sobre onde viver.

Ao longo do texto, o autarca sublinha também a importância da transparência, da prestação de contas e da disponibilidade dos eleitos para ouvir os cidadãos e explicar as suas decisões. Adverte, porém, que a regionalização deve evitar reproduzir, à escala regional, o centralismo que pretende combater.

Além das funções políticas na Noruega, Nuno Marques é docente na Universidade OsloMet, doutorando em Direito na Leeds Law School, no Reino Unido, e especialista internacional do Conselho Norueguês para os Refugiados. Um percurso internacional que mantém Tomar como lugar de raízes e de regresso.

Leia o artigo de opinião na íntegra no jornal Público: 

https://www.publico.pt/2026/11/07/opiniao/opiniao/portugal-nao-cabe-lisboa-governa-partilhar-2193456?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTEAcGRvZgNzcnRjBmFwcF9pZA80Mzc2MjYzMTY5NzM3ODgAAR9pXyw30NqT5RbClH1-YDdAzgZRyhKtUCoxkqxyJoaiXPZGS89GQxBQ17i0GA_aem_EqNVvd1LbRzNFcFzRviEbw

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