História e Tradições de Tomar, por Carlos Trincão

Por: Mário Beja Santos

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Carlos Tincão

É um livro destinado a uma nova disciplina curricular, abrangerá alunos que vão do 3º ao 6º ano. No ano letivo de 2020/2021, primeiro ano da implementação do Plano de Inovação do Agrupamento de Escolas Templárias, a nova disciplina que já está a ser lecionada no 3º ano, alargar-se-á aos restantes.

Docentes e encarregados de educação encontram ferramentas muito úteis neste valioso manual da História de Tomar em três importantes capítulos: o primeiro abarca a Pré-História até à civilização muçulmana, segue-se a fundação de Tomar e depois a Era Templária, tudo acompanhado de um anexo que revela monumentos, como é o caso da Anta do Vale da Lage, a Capela de Santa Iria, a Casa dos Cubos, o Castelo Templário, o Fórum Romano, a Igreja de São João Baptista, Santa Maria do Olival, Lagares d’El-Rei, a Mata dos Sete Montes, entre outros. Ilustra primorosamente este livro educativo Joana Trincão Aaltonen.

Depois de apresentar a cronologia essencial relativa ao período do estudo, o autor ocupa-se da pré-História, lembra-nos os vestígios dessa época que vão da Gruta do Caldeirão (perto da aldeia da Pedreira) à Anta do Vale da Lage e a Gruta de Nossa Senhora das Lapas. Sellium representa a civilização romana na região, estamos no século I.

Temos as ruínas do que se pensa ter sido o denominado Fórum Romano (perto do atual Quartel dos Bombeiros) e as escavações da década de 1980, na zona da Alameda 1 de Março, e há objetos encontrados, como os restos de uma estátua do Imperador Augusto. Escreve o autor: “No início do século XXI, as obras do novo pavilhão desportivo revelaram ruínas de termas públicas: o Santuário das Águas, que pode ser visitado em qualquer altura do ano e do dia, pois está à vista de todos devidamente protegido”.

Segue-se a presença visigótica, dessa época há uma lenda de todos bem conhecida, a Lenda de Santa Iria. Etapa seguinte, a presença muçulmana, entre os anos 712 e 716 ocuparam Selio-Namba e terão construído uma fortaleza, admite-se que no local do atual castelo. Deste legado temos as rodas de rega como a Roda do Mouchão, mas não passa de uma hipótese.

Os Templários e Gualdim Pais resistem à sua mais poderosa arremetida, em 1190, nessa altura já estão edificadas as muralhas do castelo. Ficaram tradições do uso, é o caso da Porta de Almedina, Al-Medina significa cidade em árabe.

Estamos agora em tempos de Reconquista Cristã, há que explicar aos jovens como se inicia este processo e como a Ordem Templária acompanha D. Afonso Henriques na defesa da fronteira natural com os muçulmanos: o Tejo.

O primeiro Rei de Portugal procede a doações aos Templários, Tomar foi fundada por eles, foi a capital desta ordem durante 150 anos, capital de um extenso território, competia a esta ordem guerreira defender a fronteira oriental e impedir avanços do Califado de Córdova, fala-se da lenda do nome de Thomar e dá-se a saber porque é que o castelo se tornou uma fortaleza invencível, o autor lembra-nos que foi introduzida uma novidade defensiva, o alambor, um reforço em forma de rampa no exterior das muralhas principais. Gualdim Pais, por prudência, construiu ainda mais duas muralhas interiores.

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Selo templário

E viajamos até à Vila de Baixo, tudo bem explicado aos jovens do terceiro ano de escolaridade. Os Templários protegiam a sua vila, desenvolveram a agricultura e lançaram infraestruturas compatíveis para fazer desabrochar a economia. Do castelo desciam dois caminhos: o de Santiago, que chegava à Capela de São João, no local da atual igreja de São João Baptista, e que seguia pela Corredoura até à ponte; um outro que vinha pela Riba Fria (atual Avenida Cândido Madureira) que desembocava junto ao rio. Descreve-se minuciosamente as ligações da Corredoura à Riba Fria e o centro cívico.

Na Corredoura instalaram-se artesãos e mercadores, era a rua principal da Vila de Baixo. O autor fala igualmente dos forais e pelourinhos, matriz da importância e da gestão local.

E procede-se a uma narrativa sobre os Templários, como se implantaram em Portugal, os seus símbolos e territórios, as suas riquezas e como foram extintos, socorrendo-se o rei D. Dinis de uma hábil diplomacia para, com autorização pontifícia, ter criado a Ordem de Cristo em 1319, transferindo todo o património templário para a nova Ordem, para disfarçar a sede danova Ordem transferiu-a para Castro Marim e regressaram a Tomar em 1357.

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Introdução do segundo foral de Tomar, 1174

O autor elenca a organização templária e depois dá-nos um quadro abreviado dos monumentos alusivos a este período. Dispõe de uma boa comunicação pedagógica, auguramos que os jovens tomarenses encontrarão aqui com muita satisfação as raízes da sua identidade local e nacional, Tomar é um rincão indispensável da nossa História, do nosso património edificado, está ligada à História dos Descobrimentos e a grandes momentos da nossa aventura industrial e empresarial. Matérias que seguramente Carlos Trincão irá abordar nos próximos manuais.

Mário Beja Santos

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1 comentário
  1. José Roberto de Sousa Diz

    Excelente!

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