Da escuridão das janelas entaipadas por plásticos há 7 meses à reforma da médica de família. Estão difíceis de colocar os vidros deste edifício. Por aqui se vê a inoperância da Câmara de Tomar, e os tomarenses devem começar a refletir se valeu a pena a mudança.
Na escuridão também ficámos sem a nossa médica de família, a Dra. Anette, que chegou à idade da aposentação. Fazia parte da família dos que dela necessitavam e que a tinham, por direito próprio, como sua médica de família. Lembro o Dr. Urbano Figueiredo, quando saiu pelos mesmos motivos, e a Junta de Freguesia, na altura de Alviobeira, promoveu um jantar de despedida.
A Dra. Anette faz tanta falta aos utentes de Alviobeira e Linhaceira e este Governo, esta ministra da Saúde e esta ULS Médio Tejo não arranjam substituição. Não arranjam nem informam! Que seria de esperar de um Governo que aposta no desmantelamento do SNS e quer é privados, pois o SNS dá prejuízo e a saúde é um grande negócio?
Não há médicos? Pudera. Um pedreiro ou serralheiro ganha mais do que um médico ou um engenheiro. Os médicos são mal pagos, os enfermeiros idem. Vamos perder o SNS e a Segurança Social vai ser entregue aos privados. Até inventaram a teleconsulta, ou seja, não saia de casa: o médico consulta-o à distância!
Tempos negros se aproximam e o povo vai de férias, publica muitas fotos no Facebook, perde horas a fio nas redes sociais, não se informa, embrutece e não luta. Somos uns acomodados! Nem pelos nossos direitos lutamos, nem à Praça da República, em Tomar, marchamos para gritar: “O Polo de Saúde de Alviobeira está na escuridão: escuridão de luz e de um médico de família para mais de 2.000 utentes!”
“Esta Câmara quer é festas e fazer muita propaganda!”
Vale-nos ainda as enfermeiras, o Dr. Branco e a funcionária, a D. Fátima, que passou a levar os pedidos de renovação de receitas à Nabância e a trazê-las de volta, depois de passadas por um médico promovido a escriturário. E ainda bem que assim acontece, pois, numa população idosa e com fracos meios de transporte, o desconto dos medicamentos não cobriria as despesas de deslocação a Tomar. Mas, sem receita, também não se pode comprar na farmácia.
Andamos de cavalo para burro! E as Juntas de Freguesia de Asseiceira e de Casais/Alviobeira têm de movimentar o povo e exigir aquilo a que temos direito!
Nota: A concelhia do CHEGA e os eleitos de Tomar, tão atentos aos problemas, não abrem o bico? Pudera! Bastou um cargo bem pago de vereação e ficaram mudos. Não se pode acreditar em políticos destes tempos modernos. Afinal, todos vendem a alma ao diabo!
Só nos resta gritar enquanto esta pseudo-democracia não ressuscitar os tempos da PIDE. Mas, para aí caminhamos…
Quando tanto se fala na desertificação dos meios rurais e no regresso dos reformados à sua terra, como poderei deixar Lisboa, onde, no Centro de Saúde de Alvalade, tenho médicos todos os dias?
António Freitas





