O auditório da Biblioteca de Tomar abriu hoje as suas portas para o lançamento do livro de Faustino Henriques. A obra integra vários contos como o prórpio nome indica «Factos e Ficções sobre momentos da história de Tomar.

Segundo o autor “Ocorreu-me um tema que há muito andava às voltas na minha cabeça. Como teriam ocorrido, de facto, alguns dos momentos marcantes da vida de Tomar. Munido dos meus tópicos recolhidos dos «Anais do Município de Tomar», de Amorim Rosa, selecionei alguns. Entrei na barca da curiosidade de olhos colados na rdonda vigia da incerteza.

A estes relatos juntei alguns guardados na gaveta que, por tão inverosímeis estavam destinados ao esquecimento. Cabe a cada uma de vós julgá-los. Certeza, só uma: abrir uma janela de fantasia para a «Mata dos Oito Séculos»cheia de recantos maravilhosos que fazem de Tomar em lugar inesquecível.

O autor dedica esta obra à memória do Prof. Manuel da Silva Guimarães.
A apresentação do livro, esteve a cargo do Prof. Carlos Trincão, da qual reproduzimos um trecho:
“Estamos perante um livro dedicado à Memória de Manuel da Silva Guimarães, impresso na Tipografia Impotol, com capa da Helena Prista Ferrari mostrando as Escadinhas da Nossa Senhora da Piedade, do século XIX, recheado de pitadas de humor e picadas de provocação, como o Leitor se dará conta, independentemente da época em que são passadas as histórias.
Basta ver esta cena entre Gualdim Pais e Afonso Henriques digna de um bom sketch teatral, com uma, pelo menos para mim, uma novidade histórica, se assim se pode falar:
E eis que Gualdim Pais, destemido cavaleiro querendo atravessar o rio por alturas de quando por aqui andava, com el-Rei D. Afonso Henriques, em busca de lugar para o castelo, se vê em grandes embrulhadas por ter caído às águas do rio que pretendiam atravessar “vestido com os apetrechos de batalha (…) a tentar manter-se à tona e as
forças a faltarem-lhe”. Parece que estamos mesmo a ver a cena:“– A mim, nobres Templários – dizia ele. E D. Afonso incitava-o: – Nada, Gualdim! Nada! – Qual nada, qual quê. Eu não nado nada. – Nadas nada? – Nado coisa nenhuma. – Toma ar, meu amigo. Toma ar, que eu vou ajudar-te.
Tomar ar, Gualdim.” E lá terá o pobre Gualdim tomado o ar necessário para se safar, ou ser safado; e com aquela do “Toma ar”, eis que o sítio fica a chamar-se Tomaar…
É assim que Faustino Henriques, com grandes doses de humor, trazendo ao resto do texto outros conceitos anacrónicos para a época, nos conta a origem do nome Tomar neste seu livro de estreia, assim o espero, até porque matéria há muita para muito mais nos já referidos Anais de Amorim Rosa e possa o Autor fazer um segundo livro para complementar
e dar sequência a este, que decorre, como o próprio refere na Nota de Introdução, (…).
São, portanto, dezanove histórias que contam aspectos da vida de Tomar ao longo de todos estes séculos, com tal dose de irreverência e de tal forma que o leitor não consegue impedir sorriso ou largar gargalhada com as imagens e jogos de palavras, (…) Encontrou o Faustino uma fórmula deliciosa para prender o leitor a aspectos mais ou menos conhecidos”.
Sobre o autor, Faustino Henriques, é professor e integra o Coro da Associação Canto Firme.






