A Tejo Ambiente prepara um novo ciclo de investimento robusto de 16 milhões de euros em 2026 destinados a modernizar redes, combater perdas de água e reforçar a sustentabilidade — num plano que quer responder a um dos maiores desafios da região: garantir serviço de qualidade num território envelhecido e disperso.
Com um orçamento global de 27 milhões de euros, a empresa intermunicipal liderada por Tiago Carrão coloca no topo das prioridades a fiabilidade do abastecimento e do saneamento nos seis concelhos onde opera — Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha. O objetivo é claro: menos desperdício, mais eficiência e acesso universal a serviços essenciais.
Subsistema da Mendacha, em Tomar, é o maior ponto crítico
O subsistema da Mendacha, em Tomar, é hoje o maior ponto crítico: uma rede com 253 quilómetros de condutas envelhecidas e calcificadas que exige uma renovação total avaliada em 20 milhões de euros — investimento ainda sem financiamento garantido, mas considerado decisivo para evitar falhas no abastecimento.
Ao mesmo tempo, a empresa quer acelerar a expansão do saneamento, travando problemas antigos como a entrada indevida de águas pluviais nas infraestruturas, que sobrecarrega ETAR e emissários.
Nos resíduos urbanos, o plano segue alinhado com o PAPERSU 2030: mais recolha porta-a-porta de biorresíduos, distribuição de compostores e reforço das campanhas de sensibilização — uma aposta na mudança de comportamentos, não apenas em infraestruturas.
Os números mais recentes mostram avanços, mas também o tamanho do desafio:
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Água não faturada caiu de 51,6% para 36%
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Mais de 23.700 contadores substituídos
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Qualidade da água atinge 99,9% de conformidade legal
Tejo ambiente já investiu 39 milhões de euros desde 2019
Desde 2019, a Tejo Ambiente já investiu 39 milhões de euros, ao mesmo tempo que a gestão intermunicipal permitiu poupar cerca de 1 milhão de euros em custos operacionais. Apesar disso, não há margem para aliviar faturas. A empresa afasta qualquer descida de tarifas no curto prazo, sublinhando que o serviço tem de se autofinanciar e que a dívida associada aos investimentos terá de ser paga.
Com as alterações climáticas a pressionar — secas mais longas e fenómenos extremos — a estratégia passa também por reforçar a resiliência das infraestruturas e preparar respostas de contingência.
Até 2030, a ambição é total: serviços universais, eficiência ambiental e equilíbrio económico, num território com cerca de 106 mil habitantes onde a água, mais do que um recurso, está a tornar-se uma prioridade estratégica.






