spot_imgspot_img

Publicidade

spot_img

Artigos Relacionados

 Sexta-feira Santa ficou marcada por uma tragédia que abalou a comunidade de Ourém

Kevin Cruz, de 19 anos, estudante do Politécnico de Leiria, jovem afável, muito próximo da família (era filho único) e dos amigos, e bastante estimado por todos os que com ele conviviam pedeu a vida num acidente durante uma prova todo-o-terreno, no concelho de Ourém.

A poucos dias da Páscoa, aproveitando a pausa letiva, Kevin participou com familiares e amigos no XIV Passeio TT dos Chícharos, organizado pela União Desportiva de Gondemaria, no concelho de Ourém. O evento, pensado como um momento de convívio, incluía um percurso de todo-o-terreno com jipes.

Já perto da hora de almoço, Kevin seguia como passageiro num dos veículos quando, por motivos ainda por apurar, o condutor — um amigo da família, de 43 anos — perdeu o controlo do jipe. A viatura acabou por capotar, apanhando de surpresa todos os ocupantes e transformando rapidamente um dia de celebração num cenário de choque e consternação.

Apaixonado por desportos motorizados, Kevin encontrava nestas atividades um dos seus maiores entusiasmos. Ao longo da tarde, a dor fez-se sentir na comunidade, com dezenas de amigos e conhecidos a reunirem-se para prestar apoio à família, em especial aos pais do jovem, filho único, num momento de profunda tristeza.

Nas redes sociais são inúmeras as mensagens de pesar e de consternação pelo morte do jovem Kevin.
Sónia Neves deixou a seguinte mensagem:
“Dizem que o tempo cura, mas há momentos que parecem paralisar o relógio. Ver a vida de um jovem se interromper é testemunhar uma história sendo fechada antes mesmo do fim do primeiro capítulo. É um erro de sintaxe do destino, uma frase que termina com um ponto final onde deveria haver uma vírgula.
​A Impotência que Sufoca
Eu estava lá. Vivi de perto o peso do ar que parece não ser suficiente para ninguém no recinto. A sensação de impotência é uma sombra densa; você quer estender a mão, quer dizer algo que mude a realidade, quer oferecer um porto seguro, mas percebe que o mar é revolto demais para qualquer âncora que você possua. Estar presente no “pior dos momentos” é carregar o peso de um mundo que desabou e não ter ferramentas para reconstruí-lo.
​A Dor dos Pais
Mas o que mais dói, o que realmente corta a alma, é o olhar dos pais. É uma dor que não tem nome — a língua portuguesa é rica, mas não batizou quem perde um filho. Vi o chão sumir sob os pés deles e a força da gravidade parecer dez vezes maior. Ali, naquela rua, o silêncio gritava. Nada do que eu fizesse, nada do que eu dissesse, poderia preencher o vazio que se abriu.
​O que resta quando nada pode ser feito?
Às vezes, a nossa única função é ser presente, oferecer um abraço. . Ser aquele que não desvia o olhar diante da tragédia. Eu não pude evitar a partida, ninguem pode, não pude curar a dor, nem tive o poder de devolver a cor ao mundo daqueles pais.
​Resta apenas o meu silêncio solidário, a minha presença pequena diante de uma perda gigantesca e a consciência de que, em certos momentos da vida, a única coisa que podemos fazer é segurar a mão de quem fica, mesmo sabendo que nossas mãos estão tão trêmulas quanto as deles.
​Resta-me desejar a estes pais muita força e muita coragem, um forte abraço
Descansa em paz estrelinha. A vida é mesmo injusta”
 Sexta-feira Santa ficou marcada por uma tragédia que abalou a comunidade de Ourém

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Em Destaque