No próximo dia 18 de abril, o Salão Nobre dos Paços do Concelho vai encher com o povo de Tomar que vai prunciar-se sobre a realização da Festa dos Tabuleiros em 2027 e escolher o Mordomo entre os tomarenses que se disponibilizem para assumir essa importante tarefa.

Francisco Madureira já tornou público, nas redes sociais, que está disponível.
Francisco Madeureira: “Sim, estou disponível.
Foi na aparente indisponibilidade de alguém para se apresentar a Mordomo da Festa dos Tabuleiros que, há mais de um ano, fui incentivado e encorajado para tal missão.
A Festa dos Tabuleiros é uma celebração que a todos os tomarenses orgulha, não me sendo, por isso, indiferente. Estando ligado à Festa desde 1995, ou seja, há cerca de 30 anos, tal circunstância levou-me a refletir que reunirei condições para ser MORDOMO, pois, no que respeita ao gosto pela FESTA, não há quem goste mais ou menos – TODOS GOSTAMOS MUITO – entendendo-a como a celebração máxima da identidade de todos nós, dos tomarenses e do concelho de Tomar.
Durante este período, falei com os que me são mais próximos, pois sem o seu apoio uma missão destas torna-se impossível. Por minha iniciativa, falei pessoalmente com todos os antigos Mordomos e com pessoas cuja opinião considerei relevante para a minha decisão, sempre com sentido de responsabilidade e consciência da amplitude do desafio.
Os que melhor me conhecem sabem o empenho, o rigor e a dedicação que coloco em tudo o que faço. A missão e o papel de Mordomo – O MAIS HUMILDE E DISPONÍVEL SERVIDOR DA FESTA – exigem, genuinamente, dignidade, compromisso, humildade e orgulho em servir o concelho de Tomar e os tomarenses.
Por isso, a minha disponibilidade não é contra ninguém; é, sim, pelo respeito, pelas tradições, pelo legado que os nossos antepassados nos transmitiram, pelas pessoas e por todos quantos dão vida à Festa. Sei que cada gesto, cada cortejo e cada tabuleiro são momentos de autenticidade única que têm de ser honrados, para assegurar a grandeza e a importância da Festa, mantendo elevado o nome de Tomar com seriedade e prestígio.
Seriedade e prestígio que não podemos esquecer, perante uma FESTA em que a componente civil e religiosa se conjugam. Por um lado, a Festa deve merecer todo o apoio que, acredito, existirá por parte de todos os órgãos autárquicos do nosso concelho de Tomar – Assembleias de Freguesia, Juntas de Freguesia, Assembleia Municipal e a nossa Autarquia. Por outro lado, destaca-se o relevante desempenho das freguesias na criação e participação no Cortejo dos Tabuleiros, que, com orgulho, num misto de beleza e grandiosidade, se fazem transportar com a Coroa ou a Pomba do Espírito Santo.
Acresce ainda o importante apoio da Assembleia Municipal e do Executivo Municipal que, reconhecendo que a Festa é do Povo e para o Povo, sustentam uma organização muito própria, tal como o fazem todas as Comissões e todos aqueles que se unem numa síntese perfeita de comunhão, partilha e unidade. Unidade essa que se manifesta, de forma exemplar e única, nas ruas populares ornamentadas, assumindo um papel relevante que importa respeitar.
A Festa é passado, presente e futuro.
A participação ativa e empenhada dos encarregados de educação, educadores, professores e crianças dos Jardins de Infância, Escolas do Primeiro Ciclo e Agrupamentos de Escolas é imprescindível na construção desse futuro.
Quanto ao carácter profano e religioso da Festa, importa sublinhar, em termos de agradecimento, engrandecimento e modernidade, que esta celebração em honra do Divino Espírito Santo conta com a participação, de dignidade exemplar, da Santa Casa da Misericórdia, enquanto guardiã dos símbolos da Festa – o Pendão e as Coroas -, constituindo um verdadeiro hino ao carácter único da Festa dos Tabuleiros.
Honrando o Espírito Santo, engrandecemos a Festa numa mensagem de união entre o profano e o religioso que importa defender. E, ao defendê-la, preservamos a genuinidade desta celebração tão singular, afastando inovações que não importa assumir.
Por isso, o compromisso e empenho que hoje declaro são de trabalho, de dedicação constante, de promoção da partilha sem exclusões, de respeito pelo coletivo e pela dignidade da Festa dos Tabuleiros, bem como de dignificação do seu legado e da sua preservação para as gerações futuras, celebrando o espírito de união com que a Festa nos abraça.
Termino esta missiva como comecei:
Sim, estou disponível.
Porque a grandeza da Festa dos Tabuleiros não se explica – sente-se, vive-se.
Viva a Festa!”

Por sua vez, Mário Formiga que foi o Mordomo da última festa, que se realizou em 2023, já veio também a público esclarecer que está disponível para voltar a ser o Mordomo da próxima festa.
Mário Formiga: “Houve um momento em que disse, com toda a serenidade, que este seria um ciclo único. E disse-o com convicção, talvez com aquela lucidez que só chega depois de se viver, por dentro, a intensidade e a exigência que a responsabilidade de Mordomo naturalmente carrega.
Acreditei, honestamente, que esse seria o desfecho mais adequado: cumprir, agradecer e sair com a discrição de quem entende que a Festa deve sempre renovar-se.
No entanto, nos últimos dias, fui sendo surpreendido por um conjunto de manifestações de apoio que, mais do que insistentes, foram genuínas. Palavras de incentivo, gestos de confiança e, acima de tudo, uma espécie de expectativa silenciosa de que talvez ainda haja algo a dar.
Confesso que não é indiferente.
É verdade que, ao longo deste percurso, houve também quem questionasse, quem tivesse uma leitura diferente das decisões tomadas, ou quem, legitimamente, esperasse outro caminho. Faz parte. A responsabilidade traz consigo essa inevitabilidade, a de não conseguir ser consensual. E talvez isso seja, no fundo, sinal de que se esteve verdadeiramente a exercer a função.
Ainda assim, entre o reconhecimento e a crítica, entre o desgaste e o privilégio, permanece algo que não se alterou: a profunda ligação à Festa dos Tabuleiros e o sentido de dever para com aquilo que ela representa.
Recandidatar-me não é, por isso, uma decisão simples, nem tomada de ânimo leve. É antes um exercício de ponderação, entre aquilo que já foi dado e aquilo que ainda poderá, eventualmente, ser oferecido.
Se avançar, não será por insistência exterior apenas, nem por qualquer necessidade de reafirmação. Será, acima de tudo, por entender que servir a Festa continua a ser um compromisso que merece disponibilidade, equilíbrio e respeito por todos. Concordem ou não, estejam mais perto ou mais distantes.
A Festa dos Tabuleiros é maior do que qualquer pessoa. E é precisamente por isso que todas as decisões em torno dela exigem não apenas vontade, mas consciência.
Assim, com a serenidade de quem já conhece o caminho, e com a humildade de saber que nunca se percorre sozinho, admito hoje aquilo que há poucos dias julgava improvável: estou a considerar essa possibilidade”.






