A Mitsubishi Fuso suspendeu esta quarta-feira a produção na fábrica do Tramagal, em Abrantes, colocando 267 trabalhadores em regime de lay-off durante o mês de julho. A medida surge depois de entre 25 e 30 trabalhadores temporários terem cessado funções na unidade industrial no final de junho, segundo fonte sindical.
De acordo com a comunicação interna enviada aos trabalhadores, o lay-off prevê a suspensão de contratos de trabalho e a redução dos horários laborais dos funcionários abrangidos. A empresa justifica a decisão com a necessidade de reduzir custos e garantir a sustentabilidade económico-financeira da fábrica, procurando assegurar a sua viabilidade futura e preservar os postos de trabalho.
Além dos trabalhadores agora colocados em lay-off, entre 25 e 30 trabalhadores temporários viram os seus contratos terminar a 30 de junho, deixando de prestar funções na unidade do Tramagal.
Em simultâneo, a empresa mantém em curso um programa de saídas voluntárias, com o objetivo de concluir, até ao final de julho, acordos para a saída de cerca de 40 trabalhadores efetivos.
Após a paragem da produção em julho, a fábrica entrará no habitual período de encerramento para férias durante o mês de agosto.
Na nota enviada aos trabalhadores, a administração enquadra a decisão numa “crise empresarial temporária”, associada às profundas alterações legais e estruturais no setor automóvel e no próprio grupo empresarial. Nesse contexto, considera o recurso ao lay-off uma medida “adequada, necessária e proporcional” para enfrentar esta fase de transição.
A unidade industrial do Tramagal atravessa atualmente um processo de reestruturação ligado à evolução da gama de veículos produzidos, com impacto direto no volume de produção.
No âmbito dessa reorganização, a fábrica deixará de produzir para o mercado europeu as versões a gasóleo da Canter até 3.500 quilos, mantendo apenas os modelos de maior dimensão e a versão elétrica eCanter.
Segundo a empresa, esta reorganização resulta da adaptação ao novo modelo europeu de encomendas e distribuição, bem como da transformação do mercado automóvel, cada vez mais orientado para veículos de zero emissões e sujeito a novas exigências regulamentares.
O SITE-CSRA tem manifestado preocupação quanto ao futuro da unidade industrial, defendendo que a redução da produção está também relacionada com a reorganização do grupo e com as mudanças em curso na indústria automóvel europeia.
Apesar disso, a Mitsubishi Fuso garante que a fábrica do Tramagal continua integrada na sua rede industrial internacional e assegura que, para já, não estão previstas novas reduções estruturais além das medidas agora anunciadas.




