Politécnico de Tomar obtém a acreditação máxima da A3ES e transforma-se oficialmente em Universidade Politécnica a partir de 1 de agosto
É uma mudança histórica para o Ensino Superior em Tomar. O Instituto Politécnico de Tomar (IPT) foi acreditado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) pelo período máximo de seis anos e sem qualquer condição, alcançando o mais elevado nível de reconhecimento atribuído às instituições de Ensino Superior em Portugal.
A decisão permite ao Politécnico cumprir os requisitos legais para a transformação em Universidade Politécnica. A partir de 1 de agosto, a instituição passará oficialmente a designar-se Universidade Politécnica de Tomar.
Para João Coroado, presidente do Politécnico de Tomar, a decisão representa “o reconhecimento de um percurso construído com exigência, responsabilidade e qualidade” e confirma “a consistência do nosso projeto institucional”.
A acreditação máxima da A3ES reconhece o trabalho desenvolvido nas áreas da formação, investigação, inovação, internacionalização e ligação à sociedade, bem como a qualidade do Sistema Integrado de Gestão da Qualidade da instituição.
Tomar entra assim numa nova era do Ensino Superior, com a transformação do seu Politécnico numa Universidade Politécnica.
Contudo, a transformação do Politécnico em Universidade não é apenas uma mudança de nome — implica também novos desafios e exigências para a instituição, nomeadamente ao nível do corpo docente e da investigação.
O que muda para os docentes?
Não há aumento salarial automático
A mudança de designação da instituição não implica, por si só, uma mudança imediata da carreira ou da remuneração dos professores. Os docentes continuam abrangidos pelo respetivo regime de carreira e pelas tabelas remuneratórias aplicáveis.
Ou seja, um professor que hoje leciona no Politécnico de Tomar não passa automaticamente a receber um salário de professor universitário apenas porque a instituição muda de natureza.
A contratação de docentes pode tornar-se mais exigente
Aqui há uma diferença importante. Para as instituições de ensino universitário, o RJIES estabelece requisitos específicos para o corpo docente: deve existir, no conjunto dos docentes e investigadores, pelo menos um doutor por cada 30 estudantes, sendo que pelo menos metade desses doutores deve estar em regime de tempo integral.
Isto pode obrigar a instituição, ao longo do tempo, a reforçar o número de professores doutorados e em regime de tempo integral, sobretudo se aumentar o número de alunos ou se criar novos ciclos de estudos.
Pode haver maior pressão sobre a investigação
A passagem ao subsistema universitário pode também significar uma maior exigência na consolidação da investigação, publicação científica e capacidade de atribuição e desenvolvimento de graus académicos de natureza universitária. A A3ES avalia os critérios de qualificação do pessoal docente no âmbito da acreditação dos ciclos de estudos.
E os atuais professores?
Não significa que tenham de ser todos doutorados de um dia para o outro nem que percam automaticamente o lugar. A transição terá de ser concretizada através do enquadramento legal e regulamentar aplicável à nova instituição e às respetivas carreiras.
A consequência mais provável será a necessidade de a futura Universidade Politécnica de Tomar adaptar progressivamente o seu corpo docente aos requisitos das instituições universitárias, o que poderá significar mais concursos para professores doutorados, mais docentes a tempo integral e maior valorização da investigação.





