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Antiga fábrica do Sobreirinho à venda por 1 milhão e 350 mil euros

Antiga fábrica do Sobreirinho à venda por 1 milhão e 350 mil euros. A antiga unidade industrial do Sobreirinho (uma das mais antigas fábricas de papel do concelho de Tomar), instalada junto ao rio Nabão, nas proximidades da Póvoa, na atual União das Freguesias de Além da Ribeira e Pedreira, encontra-se à venda na imobiliária Remax por 1 milhão e 350 mil euros.

Segundo a imobiliária “O Sobreirinho é um lugar encantado sobre a águas cristalinas do Rio Nabão, a escassos minutos da cidade templária de Tomar – com todo o seu Património Mundial da Unesco – e a uns confortáveis 90 minutos do aeroporto de Lisboa.  Numa propriedade de sonho, com mais de 45.000m2 de mata autóctone e que incluí ainda vários troços de leito do Rio Nabão”

O atual proprietário, quando adquiriu esta propriedade em 2023, pretendia desenvolver, naquele espaço, um projeto de “Turismo na Natureza”, que segundo fonte fidedigna, já obteve junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) parecer favorável.

Contudo, aquele espaço idílico inserido na natureza está agora novamente à venda.

Deixamos aqui algumas datas e dados históricos sobre a emblemática Quinta do Sobreirinho como é hoje anunciada no portal da referida imobiliária.

Antiga fábrica do Sobreirinho à venda por 1 milhão e 350 mil euros

Cronologia conhecida sobre a antiga fábrica do Sobreirinho

  • 1845 — Já existiam no local “moendas”, isto é, estruturas movidas pela força hidráulica do Nabão. Não é ainda possível afirmar que nessa data já se fabricava papel.
  • 1874 — A fábrica de papel estava em funcionamento e empregava 54 trabalhadores: 33 mulheres e 21 homens. Muitos seriam habitantes da Póvoa. O sócio-gerente era Silvério da Costa Gonçalves.
  • 1876 — A Fábrica do Sobreirinho representou Tomar na Exposição de Santarém, juntamente com as fábricas de papel do Prado e da Marianaia.
  • 25 de abril de 1882 — A unidade foi adquirida pela Companhia do Papel do Prado, através de António dos Santos Monteiro. A documentação estudada sugere que a compra poderá ter tido como objetivo retirar uma concorrente do mercado.
  • Final do século XIX/início do século XX — A fábrica terá deixado de produzir relativamente pouco tempo depois da aquisição, embora não se conheça ainda com rigor o ano do encerramento. Estudos académicos indicam que as unidades do Sobreirinho e da Marianaia laboraram até ao início do século XX.
  • 1986 — O imóvel foi adquirido por Victor Manuel Garcia Januário.
  • 1995 — Foi apresentado à Câmara de Tomar um projeto para recuperar a antiga fábrica e transformá-la em Turismo no Espaço Rural/Turismo de Habitação, elaborado pelo gabinete de Lourenço Gomes. A proposta não foi aprovada.
  • 2013 — A Quinta do Sobreirinho, indicada com cerca de 25 mil metros quadrados, encontrava-se à venda por 360 mil euros.
  • 2023 — A empresa Lakshmi – Sociedade Imobiliária, Unipessoal, Lda. apresentou um pedido de viabilidade para reconverter o conjunto numa unidade de turismo rural.
  • 2026 — O imóvel voltou a ser divulgado no mercado imobiliário como espaço com potencial para um projeto de turismo de natureza e bem-estar. Esta divulgação comercial não permite, por si só, concluir que exista projeto aprovado ou licença para executar as obras.

Importância industrial

A unidade aproveitava a energia hidráulica proporcionada pelo rio e pelo açude. As estruturas existentes — fábrica, açude e restantes elementos hidráulicos — testemunham uma fase em que o Nabão alimentava várias indústrias de Tomar.

O estudo académico de Renata Faria Barbosa considera o Sobreirinho um dos conjuntos industriais mais antigos e menos alterados do vale do Nabão. Como teve um período de funcionamento relativamente curto, conservou características construtivas próximas das originais, nomeadamente:

  • paredes de alvenaria de pedra calcária;
  • cantarias nos vãos;
  • estruturas diretamente relacionadas com o aproveitamento da água;
  • açude destinado a alimentar os mecanismos da fábrica.

É, portanto, património relevante não apenas pela arquitetura, mas também pela história laboral. O facto de, em 1874, a maioria dos trabalhadores serem mulheres — 61% do total — é particularmente significativo.

Fontes principais

As Fábricas do Vale do Nabão: estudo comparativo dos sistemas construtivos e sua relação com a água, elaborado com consulta aos arquivos da Câmara Municipal de Tomar.

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