Castelo do Bode: Oposição alerta para ilegalidades e insegurança na reunião do executivo tomarense. Na reunião da Câmara de Tomar, que decorreu ao início da tarde de hoje, o vereador da oposição José Delgado alertou para a presença de caravanas junto ao rio, deposição de resíduos e receios manifestados pelas populações.
O nível da albufeira de Castelo do Bode deverá baixar perto de 15 metros durante o verão de 2027, devido à realização de trabalhos de manutenção na barragem. A informação foi transmitida pelo presidente da Câmara de Tomar durante a reunião do executivo municipal realizada esta segunda-feira, 24 de agosto.

A anunciada descida das águas surgiu na resposta às preocupações manifestadas pelo vereador da oposição José Delgado, que defendeu o reforço da fiscalização na área da albufeira perante a existência de alegadas operações e ocupações ilegais.
O vereador chamou a atenção para um conjunto de situações relacionadas com embarcações, viaturas, caminhos e ocupações das margens, defendendo uma atuação articulada das diferentes entidades com responsabilidades naquele território.
José Delgado alertou particularmente para a presença crescente de caravanas junto ao rio e para situações em que os respetivos utilizadores alegadamente despejam resíduos em locais impróprios. O autarca referiu ainda que as populações residentes nestas zonas começam a manifestar receios relacionados com a segurança.
“É preciso fazer uma ação concertada para resolver alguns problemas”, sustentou o vereador, lembrando que a fiscalização da albufeira envolve várias entidades e competências. Na sua intervenção, pediu ao presidente da Câmara que desse atenção especial a estas situações e promovesse a articulação necessária com as forças de segurança e os organismos responsáveis.

Tiago Carrão reconheceu a existência de preocupações de natureza urbanística e ambiental
Em resposta, o presidente da Câmara reconheceu a existência de preocupações de natureza urbanística e ambiental na albufeira de Castelo do Bode. O autarca revelou que, na semana anterior, acompanhou uma visita à freguesia da Serra, onde estão a decorrer várias construções.
Segundo explicou, uma parte significativa dessas construções terá processos regulares e estará devidamente licenciada. Contudo, reconheceu que existem outras situações que suscitam dúvidas e preocupação, tanto no plano urbanístico como ambiental.
O presidente informou também que a Câmara recebeu recentemente o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado, tendo a necessidade de reforçar a fiscalização na albufeira sido um dos assuntos abordados no encontro.
A autarquia defendeu junto da APA uma intervenção mais eficaz, atendendo a que parte das matérias relacionadas com as margens, os recursos hídricos e determinadas construções se encontra sob a responsabilidade daquela entidade.
A descida do nível da água prevista para o verão de 2027 poderá, segundo o presidente, constituir uma oportunidade para realizar ações de fiscalização “mais assertivas”. Com as águas cerca de 15 metros abaixo do nível habitual, ficarão expostas áreas das margens que normalmente permanecem submersas ou são de difícil acesso, facilitando a identificação de eventuais construções, descargas, ocupações ou intervenções irregulares.
Há preocupações crescentes relacionadas com a pressão turística, a circulação de embarcações e motas de água, a ocupação das margens, o estacionamento desordenado e o abandono de resíduos
A situação da albufeira de Castelo do Bode tem vindo a suscitar preocupações crescentes relacionadas com a pressão turística, a circulação de embarcações e motas de água, a ocupação das margens, o estacionamento desordenado e o abandono de resíduos. Aos problemas ambientais juntam-se agora os receios das populações residentes, que reclamam maior presença das autoridades e uma fiscalização mais eficaz.
A Câmara de Tomar considera que será necessária uma intervenção concertada entre o município, a Agência Portuguesa do Ambiente, as forças de segurança e as restantes entidades com competências na albufeira, de forma a assegurar a proteção ambiental, a legalidade das ocupações e a segurança de moradores e visitantes.






