A visita técnica realizada esta tarde ao Aqueduto dos Pegões, em Tomar, confirmou a existência de deficiências estruturais no monumento, levando o instituto público Património Cultural a determinar a realização de um diagnóstico de engenharia rigoroso, considerado essencial para definir futuras intervenções de conservação e restauro.
Em resposta à agência Lusa, fonte oficial do Património Cultural sublinhou que “a situação geral do monumento justifica o aprofundamento das ações de conservação”, alertando que a simples observação visual “não permite uma avaliação rigorosa do seu estado estrutural”. Nesse sentido, será necessário recorrer a um estudo técnico aprofundado, a realizar por “uma instituição independente e tecnicamente habilitada”.

O diagnóstico de engenharia será a base fundamental para qualquer decisão futura sobre intervenções no aqueduto, classificado como Monumento Nacional e localizado no concelho de Tomar, distrito de Santarém.
A vistoria foi desencadeada na sequência de alertas para um eventual risco de colapso e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão (PSD), de elementos do executivo e dos serviços técnicos municipais, da Proteção Civil e de uma delegação do Património Cultural, liderada pela vice-presidente do conselho diretivo, integrando técnicos das áreas da arquitetura e da engenharia.
Segundo o instituto público, a situação mais preocupante foi identificada num troço com grande desenvolvimento vertical, onde se verifica uma intensa colonização vegetal associada a sinais evidentes de degradação. Ainda assim, o Património Cultural esclarece que as monitorizações efetuadas nos últimos anos pelos serviços municipais “não evidenciaram alterações significativas que permitam concluir a existência de um agravamento súbito do risco” para pessoas ou bens.

Na sequência da visita técnica será agora elaborado um relatório que reunirá toda a documentação disponível.
Caberá depois às entidades envolvidas articular com a ESTAMO, entidade responsável pelo imóvel, os procedimentos necessários à concretização do diagnóstico de engenharia.
A visita ocorreu após um alerta público lançado pelo vereador do PS na Câmara de Tomar, José Delgado, que classificou o estado do aqueduto como “alarmante” e defendeu a adoção imediata de medidas preventivas, incluindo restrições à circulação de pessoas.
O presidente da Câmara de Tomar afirmou à Lusa que a prioridade do município é “garantir um diagnóstico técnico rigoroso antes de implementar qualquer medida preventiva”, assegurando em simultâneo a segurança de visitantes e residentes.
Tiago Carrão destacou ainda o valor do monumento, classificando o Aqueduto dos Pegões como “um património de enorme relevância histórica, cultural e simbólica”, acrescentando que o diagnóstico agora anunciado é “fundamental para planear intervenções de forma segura e responsável, preservando o monumento para as gerações futuras”.
Também conhecido como Aqueduto do Convento de Cristo, o Aqueduto dos Pegões foi construído entre os séculos XVI e XVII para abastecer de água o Convento de Cristo. Tem cerca de seis quilómetros de extensão e está classificado como Monumento Nacional desde 1910.
Fonte: Lusa






