Santuário de Fátima admite fechar casas de banho e parques se taxa turística avançar. O administrador alerta para as consequências da cobrança de dois euros por dormida e critica a falta de estratégia do Município para Fátima. Hoteleiros contestam novo encargo e pedem uma posição mais firme da ACISO.
O Santuário de Fátima admite encerrar as casas de banho e os parques de estacionamento que disponibiliza gratuitamente a milhares de peregrinos e visitantes, caso seja aprovada a taxa turística de dois euros que o Município de Ourém pretende aplicar a partir de 2027.
O alerta terá sido deixado pelo administrador do Santuário de Fátima, Miguel Sottomayor, durante uma nova reunião realizada esta quarta-feira, 2 de setembro, entre representantes do Município, empresários da hotelaria e a Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO).
Fátima não dispõe de casas de banho públicas asseguradas pelo Município
A concretizar-se, a medida teria um impacto significativo no funcionamento da cidade. Fátima não dispõe de casas de banho públicas asseguradas pelo Município, sendo o Santuário a prestar este serviço a milhares de pessoas. Também uma parte importante dos parques de estacionamento utilizados por peregrinos e turistas pertence à instituição religiosa.
Miguel Sottomayor não terá poupado críticas à forma como o Município tem conduzido o destino de Fátima, apontando a ausência de uma estratégia clara para a cidade e contestando a criação de mais um encargo para um setor que já suporta uma elevada carga fiscal.
O sacerdote terá ainda rejeitado a forma como Fátima é encarada pelas entidades públicas, defendendo que a cidade não deve ser tratada apenas como um destino turístico. A especificidade de Fátima enquanto centro de peregrinação, que recebe milhões de pessoas movidas sobretudo por razões religiosas, é um dos argumentos invocados contra a aplicação da taxa.
Hoteleiros contestam novo encargo
Os empresários da hotelaria reiteraram a oposição à cobrança de dois euros por dormida e criticaram a atuação da ACISO, considerando que a associação empresarial deveria assumir uma posição mais firme na defesa dos interesses do setor turístico e hoteleiro de Fátima.
O regulamento municipal permanece em discussão pública e terá ainda de ser apreciado pela Assembleia Municipal de Ourém. Entre os opositores à medida existe, contudo, o receio de que a reduzida representação de Fátima naquele órgão possa facilitar a sua aprovação.
A eventual introdução da taxa turística ameaça, assim, desencadear um conflito entre o Município, o Santuário e os empresários. No centro da discussão está não apenas a cobrança de dois euros, mas também uma questão mais profunda: quem suporta os custos provocados pela presença anual de milhões de peregrinos e quem deve assegurar os serviços públicos de que Fátima necessita.





