Tomar aponta a 23 milhões de investimento em 2027 e prepara avanço da estrada de Carvalhos de Figueiredo. Tiago Carrão apresentou o balanço do primeiro ano de mandato e anunciou prioridades para 2027. Requalificação de estradas, habitação acessível, escolas, Biblioteca Municipal e novas áreas industriais marcam a agenda do executivo, que enfrenta também a recuperação dos estragos provocados pela tempestade.
A Câmara Municipal de Tomar perspetiva cerca de 23 milhões de euros de investimento em 2027, somando um conjunto de projetos estimados em 17 milhões de euros à execução prevista de aproximadamente seis milhões em intervenções de recuperação dos danos da tempestade. A previsão foi apresentada pelo presidente da autarquia, Tiago Carrão, numa sessão de balanço do primeiro ano de mandato, na Biblioteca Municipal.
Entre os compromissos anunciados estão o lançamento da empreitada da estrada de Carvalhos de Figueiredo, no segundo semestre de 2027, a reabilitação da Biblioteca Municipal, a criação de mais habitação para arrendamento acessível e a instalação de uma nova loja de turismo na Casa Vieira Guimarães, que o executivo pretende abrir antes da Festa dos Tabuleiros.
Os investimentos foram apresentados numa altura em que o orçamento municipal para 2027 ainda estava em preparação, com auscultação das restantes forças políticas. Constituem, por isso, as prioridades anunciadas pelo executivo para o próximo ano.
A sessão encerrou um dia de visitas a intervenções no concelho. Perante autarcas, representantes de instituições, trabalhadores municipais e cidadãos, Tiago Carrão defendeu que assinalar o primeiro aniversário da tomada de posse deve ser, sobretudo, um exercício de prestação de contas.
“Não se trata de celebrar, trata-se de assinalar um ano de trabalho”, afirmou, reiterando que a transformação que propõe para Tomar corresponde a um horizonte de 12 anos.
Estrada de Carvalhos de Figueiredo com empreitada prevista para o segundo semestre

Uma das intervenções mais aguardadas é a requalificação da Estrada Nacional 110, na zona de Carvalhos de Figueiredo. Segundo o presidente, o projeto aproxima-se da fase final e está em revisão pelos serviços municipais, sendo objetivo lançar a empreitada no segundo semestre de 2027.
Tiago Carrão antecipou uma obra prolongada, com uma duração estimada de cerca de dois anos, ou mais, e consequências na circulação automóvel. Neste contexto, apontou a intervenção na Ponte da Marianaia como importante para assegurar uma alternativa durante os trabalhos e melhorar as condições de uma ligação que tem vindo a ganhar utilização.
A Festa dos Tabuleiros também vai influenciar o calendário das obras na cidade. O autarca explicou que algumas intervenções terão de ser compatibilizadas com a realização da festa, permitindo concentrar parte do investimento nas freguesias rurais durante a primeira metade do ano.
Na área urbana, anunciou ainda a reabilitação da envolvente de Casal dos Frades e dos respetivos acessos, apontando para este conjunto uma estimativa de três milhões de euros.
Novas zonas industriais para responder à procura de empresas
O desenvolvimento económico ocupou um lugar central na apresentação, com duas prioridades: Asseiceira e Vale dos Ovos.
Na Asseiceira, o município trabalha em articulação com Vila Nova da Barquinha para desenvolver uma área empresarial que possa beneficiar da proximidade e continuidade com a expansão industrial daquele concelho. Do lado de Tomar, o presidente apontou um potencial de cerca de 120 hectares.
O processo implica alterações regulamentares ao Plano Diretor Municipal e contactos com os proprietários, com os quais a autarquia já realizou reuniões.
Em Vale dos Ovos, o trabalho encontra-se, segundo o autarca, mais adiantado, beneficiando de preparação anterior. A intenção é começar a adquirir alguns terrenos em 2027, num processo que exigirá também investimento em infraestruturas e loteamentos.
Tiago Carrão afirmou que o município tem sido procurado por investidores sem dispor de espaço industrial suficiente para lhes responder. Associou o reforço desse interesse às perspetivas de desenvolvimento aeronáutico em Tancos e à futura linha de alta velocidade, defendendo que Tomar deve preparar-se para captar atividades e emprego ligados a esses projetos.
No apoio às empresas de menor dimensão, destacou o lançamento do Centro de Negócios e Aceleração, apresentado como a primeira incubadora de empresas de Tomar. Os oito gabinetes disponíveis suscitaram mais de 40 manifestações de interesse. À data da sessão, o regulamento já tinha sido publicado, seguindo-se a abertura das candidaturas formais.
Habitação: 44 casas atraíram 202 candidaturas
A procura de habitação acessível foi outro dos indicadores destacados pelo presidente. Os 44 fogos colocados no mercado pelo município receberam 202 candidaturas, um número que, na sua leitura, demonstra a necessidade de aumentar a oferta.
Para 2027, o executivo pretende avançar com um novo edifício no lote 17 da Choromela, entre os edifícios do Regimento de Infantaria n.º 15 e os municipais, permitindo acrescentar oito habitações para arrendamento acessível.
A construção será acompanhada pela continuidade do subsídio municipal de apoio ao arrendamento, dirigido a famílias com encargos habitacionais elevados. Tiago Carrão considerou que este instrumento ainda é pouco utilizado e admitiu reforçar a dotação caso a procura aumente.
O presidente revelou também que a autarquia está a explorar diferentes soluções para responder à falta de habitação, incluindo parcerias públicas e privadas.
Biblioteca vai ter obras de 1,4 milhões e encerramento temporário
A Biblioteca Municipal deverá receber uma intervenção estimada em 1,4 milhões de euros, com lançamento previsto para 2027.
O projeto incide sobretudo na climatização e eficiência energética, através da compartimentação dos espaços e da substituição do sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado. Estão igualmente previstos trabalhos para responder a outras necessidades de manutenção do edifício, que completa 29 anos.
A empreitada implicará o encerramento temporário da biblioteca. O município terá, por isso, de encontrar alternativas para a programação e as atividades durante o período das obras.
Na área do património, o presidente anunciou o avanço da segunda fase do Fórum Romano, cujo projeto está concluído. Esta etapa destina-se a realizar trabalhos de construção e instalar as infraestruturas necessárias ao futuro equipamento museológico. A preparação dos conteúdos expositivos corresponderá a uma fase posterior.
Outra novidade é a transformação da Casa Vieira Guimarães na nova loja de turismo, que o executivo está a designar como “Loja de Tomar”. A intenção é criar um espaço que constitua, por si próprio, um ponto de interesse para os visitantes, com abertura antes da Festa dos Tabuleiros de 2027.
Escolas precisam de quase dois milhões de euros
O levantamento das condições das escolas revelou necessidades que vão além da instalação de climatização. Coberturas, caixilharias, instalações elétricas e espaços de recreio integram uma lista de intervenções estimada em quase dois milhões de euros.
O presidente esclareceu que este investimento terá de ser distribuído por vários anos, dando continuidade aos trabalhos já iniciados.
As escolas da Junceira e das Curvaceiras foram identificadas como prioridades para reabilitações mais profundas. Na Junceira, os danos provocados pela tempestade continuavam a impedir o regresso das crianças ao edifício.
Quanto à Escola Profissional de Tomar, o executivo prepara, em articulação com os restantes sócios, um procedimento de hasta pública para a sua venda. Segundo Tiago Carrão, o caderno de encargos procura salvaguardar a continuidade do projeto educativo e os interesses dos alunos e trabalhadores. O autarca adiantou que já existiam manifestações informais de interesse de grupos ligados ao ensino profissional.
Estradas e equipamentos nas freguesias
Nas freguesias, o programa anunciado inclui a intervenção no Caminho Municipal 1188, de ligação ao concelho de Ferreira do Zêzere, num processo articulado entre os dois municípios e a junta de freguesia.
A estrada de Cardelas, na Junceira, foi igualmente apontada como compromisso para 2027. Segundo o presidente, estas duas intervenções representam, em conjunto, mais de um milhão de euros.
Foi também anunciado o avanço do Caminho Municipal 1119, com um investimento estimado em um milhão de euros, a conclusão da estrada de Vale de Veneno e a requalificação de um largo em Carregueiros, com melhoria do espaço público e instalação de equipamentos infantis.
No desporto, o município pretende colocar relvado sintético no campo da Sabacheira, aumentando a capacidade de resposta aos clubes e atletas do concelho.
O presidente destacou ainda a renovação do relvado sintético do Estádio Municipal, então em fase de conclusão, cuja estreia estava prevista com um encontro das camadas de formação.
Tempestade deixou nove milhões de euros de prejuízos municipais
A recuperação dos estragos da tempestade continuará a pesar na atividade e nas contas da autarquia. Tiago Carrão apontou uma estimativa de nove milhões de euros de prejuízos municipais, abrangendo equipamentos, escolas, taludes e outras infraestruturas.
O município estava a preparar uma candidatura ao Fundo de Emergência Municipal, que, segundo explicou, poderá comparticipar 60% das intervenções elegíveis. Parte dos trabalhos avançou de imediato, por razões de urgência e segurança, sem esperar pela decisão sobre o financiamento.
A previsão apresentada é executar em 2027 cerca de dois terços daquele montante, aproximadamente seis milhões de euros, que acrescem aos 17 milhões dos restantes projetos destacados na sessão.
Na Mata Nacional dos Sete Montes, parcialmente reaberta ao público a 26 de outubro, prosseguirão os trabalhos de recuperação, incluindo a reparação de muros e a intenção de instalar um novo parque infantil.
O presidente anunciou ainda que pretende propor a classificação da Mata como monumento nacional e promover a proteção do conjunto do Aqueduto. Quanto à Charolinha, destruída pela tempestade, indicou que estão em curso trabalhos de salvaguarda das ruínas e a procura de financiamento para a reconstrução.
Nabão: limpeza do rio e reabilitação da ETAR

No ambiente, Tiago Carrão destacou o desassoreamento do Nabão na cidade e a continuidade dos trabalhos de limpeza, incluindo a zona a montante do açude de pedra, associando estas intervenções à redução do risco de cheias.
Sublinhou também a reabilitação da ETAR do Alto Nabão, apontando um investimento global de cerca de 5,2 milhões de euros e uma comparticipação prevista de aproximadamente 60% através do Sustentável 2030.
O autarca reconheceu que a intervenção não resolverá, por si só, os episódios de poluição, mas defendeu que constitui um contributo para melhorar a qualidade da água. Referiu ainda a necessidade de futuros investimentos nos coletores.
Na freguesia de Paialvo, anunciou trabalhos de modernização de infraestruturas estimados em 1,2 milhões de euros.
Taxa turística deverá gerar 500 mil euros
A entrada em vigor da taxa turística, com efeitos a partir de 1 de novembro, foi outra das medidas assinaladas. A estimativa apresentada é de uma receita de cerca de 500 mil euros, destinada a áreas como a promoção turística, as atividades culturais e a manutenção do espaço público.
O presidente destacou igualmente a abertura do Parque Urbano à população. Após um inquérito público sobre os usos desejados para o espaço, o próximo passo será preparar o projeto de arranjo paisagístico, equipamentos e infraestruturas.
Para as associações e instituições particulares de solidariedade social, anunciou novos regulamentos municipais de apoio, incluindo uma componente destinada ao investimento, com critérios definidos para o acesso ao financiamento.
Urbanismo continua a ser um dos principais desafios
No balanço da atividade municipal, Tiago Carrão apresentou indicadores relativos ao período entre 1 de janeiro e 31 de outubro de 2026.
Segundo os dados divulgados, o investimento no território ascendeu a 9,3 milhões de euros, tendo o presidente apontado um crescimento de cerca de 17% no montante global das empreitadas lançadas face ao ano anterior.
Foram contabilizados 180 procedimentos de contratação acima dos limiares indicados na apresentação — cinco mil euros nas aquisições de bens e serviços e dez mil euros nas empreitadas —, contra 156 em 2025.
No urbanismo, o executivo encontrou cerca de 2.335 processos ativos e deu resolução a 743. Apesar deste resultado, o presidente reconheceu que a resposta permanece aquém das necessidades, até porque os serviços têm de tratar simultaneamente dos processos anteriores e dos novos pedidos. A contratação de mais arquitetos integra a resposta prevista.
O Balcão Único registou 9.128 atendimentos, aproximadamente mais 10%, enquanto o prazo médio de pagamento do município se situava, no final de outubro, em 43 dias, uma melhoria de cerca de 18% face ao período homólogo.
Para sustentar o programa de obras dos próximos anos, o executivo pretende reservar pelo menos 1,5 milhões de euros para projetos de execução em 2027. Tiago Carrão identificou a falta de projetos preparados como um dos obstáculos à concretização de investimentos e ao aproveitamento dos fundos comunitários.
O segundo ano de mandato fica, assim, marcado pela intenção de passar à execução de várias intervenções aguardadas, num calendário que terá de conciliar a Festa dos Tabuleiros, a recuperação dos danos da tempestade e a capacidade financeira e operacional do município.



