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Antiga Fiação de Tomar: 30 anos de abandono, um idoso a guardar ruínas e um prometido plano para virar a página

A antiga Fábrica de Fiação de Tomar, outrora um dos maiores motores industriais do país, transformou-se num símbolo gritante de abandono, alegada negligência e falhas sucessivas de gestão pública e judicial. Três décadas após o processo de falência, o que resta é um cenário de devastação — e uma história que se espera, agora, que venha a mudar.

O novo executivo camarário, eleito há cerca de seis meses, assumiu um compromisso ambicioso: pôr fim à “humilhação” vivida por milhares de famílias que dedicaram a vida à fábrica e devolver dignidade a um espaço que marcou gerações. O plano, traçado para três mandatos (12 anos), promete transformar uma ferida urbana num projeto estruturante para o futuro da cidade.

Um património saqueado — e responsabilidades por apurar

No início da década de 1970, a fábrica empregava cerca de mil trabalhadores em regime contínuo. Hoje, o complexo encontra-se parcialmente em ruínas, após anos de saques e degradação. No centro da polémica estão os sucessivos administradores de insolvência nomeados ao longo de 30 anos, acusados de não terem assegurado a preservação dos ativos.

Especialistas recordam que a dissipação de património em processos de insolvência pode configurar crimes como peculato, abuso de confiança ou insolvência dolosa, levantando questões sérias sobre eventual responsabilidade criminal, civil e disciplinar.

Onde pára o Brasão Real da Real Companhia da Fábrica de Fiação de Tomar?

Um vigilante esquecido

No meio deste cenário, há uma figura que personifica o abandono: o senhor Guerra, antigo trabalhador com mais de 50 anos de serviço. Com mais de 80 anos e limitações físicas significativas, continua a viver numa das antigas casas operárias, sendo, ao que tudo indica, o último residente.

Designado há décadas para “guardar” o espaço, tem assistido, impotente, à destruição progressiva da fábrica. Vive com escassos recursos, numa habitação sem condições dignas, e sem apoio significativo por parte das entidades responsáveis.

Autarquias sob crítica

Também as sucessivas câmaras municipais não escapam às críticas. Apesar de algumas intervenções pontuais no passado, a acusação dominante é de inação prolongada — uma “cegueira conveniente” que terá contribuído para o estado atual do complexo industrial.

Um território com potencial estratégico

Apesar do cenário atual, o espaço representa uma oportunidade rara. Com cerca de 20 hectares junto ao rio Nabão, incluindo áreas agrícolas, património industrial e elementos históricos como o açude do século XVIII — classificado como Monumento de Interesse Público —, o local reúne condições únicas para um projeto integrado de desenvolvimento económico, cultural e ambiental.

O desafio, porém, é duplo: recuperar o passado e projetar o futuro.

Máquina administrativa sob pressão

O texto aponta ainda para um problema estrutural mais vasto: a burocratização da máquina municipal. Reuniões prolongadas para decisões menores e uma oposição centrada em formalismos são descritas como entraves à ação política.

Exemplo recente: quase meia hora de debate numa reunião do executivo para decidir a aceitação de um donativo de 20 mil euros e a sua aplicação — um episódio visto como sintomático de um sistema que trava decisões urgentes.

Um teste à liderança

Perante este contexto, cresce a pressão sobre o executivo liderado por Tiago Carrão. A expectativa é clara: reformar o funcionamento interno da autarquia, acelerar processos decisórios e avançar com projetos estruturantes — com a antiga Fábrica de Fiação no topo da agenda.

A cidade de Tomar enfrenta agora um momento decisivo: continuar a conviver com as ruínas de um passado negligenciado ou transformar esse legado num motor de futuro.

Nota: O texto teve por base um artigo de opinião da autoria de João Elvas publicado na sua página do Facebook. Fotos: João Elvas

Pode ainda aqui, recordar uma reportagem publicada há vários anos sobre o que resta da Fiação de Tomar, à data foi publicitada a venda dos terrenos por 16 milhões de euros, mas nos últimos anos já vimos os mesmos terrenos serem publicitados por 7 milhões de euros. Convém ainda referir que a Câmara Municipal de Tomar pode, no futuro, se assim o entender classificar os espaços principais como de interesse histórico e público.

Respícios da história: Real Fábrica da Fiação de Tomar

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