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BONS SONS: Durante quatro dias, a capital da música portuguesa chama-se Cem Soldos

Há festivais onde se vai para ouvir concertos. E há o BONS SONS, onde se vai para viver uma aldeia.

A partir desta quinta-feira, 6 de agosto, e até domingo, Cem Soldos, no concelho de Tomar, transforma-se novamente num dos mais singulares palcos culturais do país, assinalando os 20 anos de existência do festival e a sua 13.ª edição. Depois de ter passado a realizar-se de dois em dois anos, numa aposta assumida pela organização na sustentabilidade do projeto e no reforço da ligação à comunidade, o BONS SONS regressa com uma edição carregada de simbolismo. Mais do que celebrar duas décadas de história, pretende reafirmar um modelo cultural raro em Portugal: um festival construído por uma aldeia inteira e para a valorização da música portuguesa.

Ao longo de quatro dias, as ruas, largos, igreja, escolas e outros espaços de Cem Soldos voltam a acolher vários palcos, onde convivem artistas consagrados e novas promessas da música nacional.

A programação inclui mais de meia centena de concertos, mas também teatro, dança, conversas, atividades para famílias e iniciativas que fazem da cultura uma experiência partilhada entre visitantes e habitantes. Entre os nomes em destaque desta edição encontram-se Quinta do Bill, Rita Redshoes, Luca Argel, Jorge Cruz, Romeu Bairos, Pedro da Linha, Cacique’97, Lavoisier com o Coro Polifónico da Pedreira, TT Syndicate, Xullaji, Mães Solteiras, Calcutá, Luta Livre e muitos outros projetos que representam a diversidade da criação musical portuguesa contemporânea. Mas a verdadeira cabeça de cartaz continua a ser a própria aldeia.

Enquanto muitos festivais procuram crescer em dimensão, o BONS SONS continua a distinguir-se por crescer em identidade. Durante estes dias, centenas de voluntários da comunidade recebem milhares de visitantes, transformando cada rua num espaço de encontro e fazendo da hospitalidade uma marca registada do evento. Este modelo comunitário faz do festival um caso praticamente único no panorama nacional e internacional. As receitas geradas revertem para projetos sociais, culturais e de desenvolvimento local promovidos pelo SCOCS – Sport Club Operário de Cem Soldos, associação responsável pela organização.

A edição de 2026 assume também um significado especial por celebrar duas décadas de um projeto que ajudou a colocar uma pequena aldeia do concelho de To mar no mapa dos grandes festivais portugueses, sem nunca abdicar da sua escala humana. Num tempo em que muitos eventos competem por grandes nomes internacionais, o BONS SONS continua a apostar exclusivamente na música feita em Portugal, funcionando como palco de descoberta para novos artistas e de reencontro com músicos já consagrados. Essa coerência tornou-o numa referência cultural reconhecida dentro e fora do país.

A partir de hoje e até domingo, tudo aponta para que Cem Soldos volte a provar que uma pequena aldeia pode tornar-se, durante quatro dias, o centro da cultura portuguesa. E talvez seja precisamente essa a maior força do BONS SONS: mostrar que a dimensão de um festival não se mede pelo número de hectares, mas pela capacidade de criar comunidade

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